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Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas


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DOENÇAS DO ALHO E DA CEBOLA


(Allium sativum L. e Allium cepa L.)

M. E. T. Nunes & H. Kimati.
MOSAICO-EM-FAIXAS, NANISMO AMARELO OU CRESPEIRA - “Onion yellow dwarf virus” – OYDV.

Esta doença tem sido relatada na maioria dos países produtores de cebola, podendo reduzir a produção e a qualidade de sementes e bulbos de plantas afetadas. O vírus também foi identificado em alguns cultivares de alho, mas seus efeitos nesta cultura não são muito claros, uma vez que as plantas normalmente estão infectadas por um complexo viral. No Brasil, foi primeiramente relatada em 1966, em plantações de cebola de Indaiatuba, Piedade e São José do Rio Pardo, em São Paulo, e na zona de Belo Horizonte, em Minas Gerais.

Sintomas - Em plantas de cebola, a doença manifesta-se inicialmente através de estrias cloróticas a amareladas na base das primeiras folhas. Depois, todas as folhas novas que surgem apresentam sintomatologia que varia desde as estrias isoladas até o completo amarelecimento, algumas vezes associados com enrolamento, enrugamento e queda das folhas. Bulbos formados em plantas infectadas têm tamanho reduzido. Hastes florais afetadas também mostram intenso amarelecimento, enrolamento e enrugamento; formam inflorescências menores e com menor número de flores, culminando com a produção de sementes de baixa qualidade.

Plantas de alho com infecção combinada de OYDV e outros vírus apresentam sintomas de mosaico severo.



Etiologia - O OYDV é uma espécie do gênero Potyvirus, da família Potyviridae. Suas partículas são alongadas, medindo 722-820 nm de comprimento e cerca de 16 nm de diâmetro. Sob microscópio comum podem ser observadas inclusões circulares à ligeiramente alongadas associadas aos tecidos infectados, enquanto em microscópio eletrônico é possível observar inclusões, na forma de cata-ventos, e partículas isoladas do vírus associadas a vesículas.

A gama de hospedeiros deste vírus é pequena, incluindo basicamente espécies de Liliáceas, como cebola, alho, algumas espécies ornamentais do gênero Allium e chalota (A. cepa var. ascalonicum). No Brasil é também relatado em Allium fistulosum.

O vírus mantém-se em bulbos, canteiros de mudas e plantas voluntárias. É transmitido por várias espécies de pulgões, de maneira não-persistente, e através da propagação vegetativa das culturas. Embora o ataque às hastes florais danifique as inflorescências e flores, produzindo sementes de baixa qualidade, este vírus não é transmitido por sementes.

Controle - As medidas de controle para esta virose baseiam-se no cultivo em áreas livres do vírus, longe de culturas ou plantas voluntárias infectadas. O controle dos vetores com inseticida não é eficiente, uma vez que o vírus é rapidamente transmitido de forma não-persistente. Em virtude deste tipo de relação vírus-vetor e do fato de a virose ser limitada a plantas do gênero Allium, a rotação de culturas é medida de controle eficiente. A semeadura direta é mais indicada para o controle da virose do que a propagação vegetativa, já que o vírus não é transmitido pela semente. Outras medidas incluem a eliminação de plantas doentes e indexação do material de propagação vegetativa (mudas, bulbilhos), além da obtenção de clones livres do vírus através da cultura de meristemas, como no caso do alho.
MOSAICO DO ALHO - Potyvirus

Plantas de alho mostrando sintomas de mosaico podem estar infectadas por diferentes espécies de vírus, isoladamente ou em associação. Por ser uma cultura propagada vegetativamente, através dos bulbilhos, o acúmulo e perpetuação de vírus em plantas de alho são um grave problema, que culmina com a drástica redução nos rendimentos da cultura e na longevidade dos bulbos em armazenamento. Acredita-se que cultivares infectados ainda constituam a regra nos campos de diversos países produtores, embora programas de produção e certificação de material propagativo livre de vírus tenham sido desenvolvidos.

A falta de informações sobre a relação entre os diferentes espécies de vírus envolvidas, a confusa identificação das mesmas e a utilização da expressão “mosaico” para designar doenças com diferentes causas, dificultam a descrição de cada uma das viroses isoladamente.

Sintomas - O sintoma característico da doença é o mosaico típico, que pode estar associado à presença de riscas e mosqueado nas folhas e é mais pronunciado em folhas mais jovens. A redução no tamanho das plantas e dos bulbos também ocorre, sendo mais facilmente observada quando se dispõe de plantas livres de vírus para comparação. Muitas vezes, a associação com algumas viroses latentes faz com que os sintomas da doença sejam ainda mais drásticos, levando a maiores reduções no rendimento da cultura.

Etiologia - Muitos vírus estão comumente presentes em plantas de alho. Acredita-seque algumas espécies do gênero Potyvirus, da família Potyviridae, sejam as principais espécies associadas ao mosaico do alho. Dentre elas, já foram descritos: a) “garlic yellow streak virus”, descrito na Nova Zelândia; b) “garlic yellow stripe virus” (GYSV) ou vírus do estriado amarelo do alho, descrito na Califórnia. Embora relatos iniciais, inclusive no Brasil, considerassem este como sendo uma estirpe do vírus do nanismo amarelo da cebola, trabalhos mais recentes, após purificação dos dois isolados, demonstraram ser ambos apenas remotamente relacionados serologicamente; e) “onion yellow dwarf virus” (OYDV), que é associado com sintomas mais severos de mosaico em plantas de alho; d) “garlic mosaic virus” (GMV) ou vírus do mosaico do alho. Ainda não está totalmente esclarecido se este é um vírus distinto ou se o agente descrito em alguns países, como a França, seria na verdade OYDV, LYSV e “garlic yellow streak virus” atuando isoladamente ou em conjunto; e) “leek yellow stripe virus” (LYSV) também foi encontrado em alguns cultivares de alho e pode contribuir para os sintomas de mosaico, estando muitas vezes associado ao OYDV.

Qualquer que seja o vírus associado, a propagação vegetativa do alho é o principal mecanismo através do qual os vírus associados ao mosaico são transmitidos e podem ser levados de uma região para outra. Os potyvirus também podem ser transmitidos por pulgões de maneira não-persistente.



Controle - A forma ideal de controle do mosaico do alho é a obtenção de plantas livres de vírus para posterior propagação. Programas de produção e certificação têm sido desenvolvidos e empregados. O aprimoramento de técnicas de purificação dos diferentes vírus e, conseqüentemente, dos testes serológicos para sua detecção, têm permitido o aprimoramento destes programas de certificação.
PODRIDÃO BACTERIANA - Erwinia carotovora subsp. carotovora (Jones) Bergey et al.

A podridão bacteriana, ou podridão mole é de ocorrência comum durante o armazenamento de bulbos de cebola, podendo causar prejuízos variáveis, de acordo com as condições cm que estes são estocados. Esta doença pode iniciar seu desenvolvimento no campo, durante a maturação dos bulbos, se houver chuva antes da colheita. A bactéria destrói, inicialmente, tecidos foliares mortos e progride até atingir as escamas do bulbo, culminando com seu total apodrecimento.



Sintomas - As escamas externas dos bulbos afetados ficam encharcadas e com coloração amarelada o marrom-claro. Todo o interior do bulbo pode deteriorar-se, liberando um líquido viscoso, resultante do extravasamento do conteúdo das células dos tecidos, que são destruídas pela bactéria. Quando a infecção ocorre no campo, pode-se perceber amarelecimento e murcha das folhas.

Etiologia - O agente causal da doença é a bactéria baciliforme Erwinia carotovora subsp. carotovora, não pigmentada, provida de flagelos perítricos, gram-negativa, macróbia facultativa, catalase positiva e oxidase negativa; produz enzimas pectolíticas, mas não fosfatase e pectinase, e hidrolisa gelatina. E favorecida por umidade alta, em torno de 100%, e temperatura na faixa de 20-300C.

Esta bactéria é capaz de sobreviver saprofiticamente na maioria dos solos, na ausência de qualquer um de seus hospedeiros, representados por cerca de 70 espécies de plantas, em grande parte hortaliças, nas quais geralmente causa podridão mole. Restos de culturas e solo contaminado constituem-se na fonte primária de inóculo. A bactéria é disseminada pela água de irrigação ou de chuva, insetos, implementos agrícolas e pelo próprio homem, durante os tratos culturais. A presença de ferimentos de qualquer natureza ou ainda queimadura pelo sol favorecem a penetração da bactéria nas escamas mais externas, das quais progride para o interior do bulbo.



Controle - As medidas de controle baseiam-se em cuidados a serem tornados durante a colheita. Deve-se permitir que os bulbos amadureçam completamente e percam o máximo possível de água antes de serem colhidos. Uma cura perfeita após o arrancamento, evitando exposição dos bulbos ao sol, também é recomendada. Armazenamento a 00C e umidade relativa inferior a 70%, com boa ventilação, impede a condensação de umidade na superfície dos bulbos, favorecendo a conservação por mais tempo.
PODRIDÃO BACTERIANA DA ESCAMA - Pseudomonas cepacia (Burkholder) Palleroni & Holmes

Descrita pela primeira vez no Brasil em 1977, no Rio de Janeiro, esta bacteriose voltou a ser detectada em bulbos de cebola provenientes dos municípios de Guidoval e Rio Pomba, Minas Gerais, em 1984. Está associada a perdas em condições de armazenamento, mas a infecção, usualmente, inicia-se no campo, podendo ocasionar perdas de produção que variam de 5 a 50%.



Sintomas - Ocorre um amarelecimento na região do pescoço dos bulbos. As escamas externas apresentam uma podridão úmida, de coloração amarela a levemente marrom, com liberação de um forte odor avinagrado. Em estágios mais avançados da doença, escamas sadias podem se desprender durante o manuseio dos bulbos.

Etiologia - Pseudomonas cepacia é o agente causal da doença. E uma bactéria gram-negativa, estritamente aeróbia, não fluorescente, baciliforme, móvel por meio de um tufo de flagelos polares, oxidase positiva, produção de desidrolase arginínica negativa e capaz de liquefazer gelatina. Apresenta um ótimo de crescimento em temperaturas de 30-350C, não crescendo a 40C. A maioria das estirpes desta bactéria é capaz decrescera 41ºC.

Embora a podridão bacteriana da escama seja primariamente uma doença de cebola, outras espécies de Allium são relatadas como sendo hospedeiras desta bactéria, um organismo versátil, que sobrevive no solo e na água. A infecção em cebola só ocorre após a bulbificação, favorecida pelo acúmulo de água de chuva ou de irrigação nos tecidos do pescoço dos bulbos. A bactéria penetra por ferimentos ocasionados durante a colheita ou processo de “estalo”, quando as plantas atingem a maturação e as folhas tombam. Quando água contaminada pela bactéria atinge folhas novas, escorrendo até a região do pescoço, a infecção também pode ocorrer, podendo ficar latente caso a planta ainda não esteja na fase de bulbificação, quando então se desencadeará todo o processo de apodrecimento.



Controle - Medidas de controle incluem imediato e correto processo de cura logo após a colheita; cuidado especial com água de irrigação, principal forma de disseminação da bactéria, evitando-se o método de aspersão onde a doença seja um problema potencial, ao menos após o início da bulbificação.
MANCHA PÚRPURA - Alternaria porri (Ellis) Cif.

Esta doença ocorre em todas as regiões onde se cultivam alho e cebola, sendo mais severa em áreas com clima úmido e quente. No Brasil é uma das mais importantes doenças destas duas culturas, causando danos à produção e conservação de bulbos, bem como à produção de sementes de cebola. Recebe também os nomes de queima das folhas, crestamento e pinta.



Sintomas - Os primeiros sintomas aparecem caracteristicamente nas folhas (alho e cebola) e nas hastes florais (cebola), sob a forma de pequenas pontuações (2-3 mm), de aparência aquosa e formato irregular, que logo desenvolvem um centro esbranquiçado, tornam-se maiores e adquirem uma coloração púrpura. Em condições de alta umidade, a superfície das lesões cobre-se com anéis concêntricos de coloração marrom a cinza-escuro, correspondentes à frutificação do fungo. As lesões podem coalescer, levando à murcha e enrugamento das folhas muito afetadas, a partir do ápice. Folhas novas podem também ser destruídas, o que resulta na produção de bulbos pequenos.

O ataque às hastes florais e inflorescências de cebola impede a formação de sementes ou, quando as mesmas chegam a ser produzidas, são chochas e enrugadas. Muitas vezes, este tipo de infecção provoca uma quebra da haste na região da mancha, devido ao peso da inflorescência.

Sintomas nos bulbos, que podem eventualmente ser atacados por ocasião da colheita, ocorrem sob a forma de uma podridão semi-aquosa e enrugamento das escamas frescas do bulbo. Inicialmente, os tecidos afetados, em função de um pigmento liberado pelo fungo que se difunde pelas escamas, têm uma coloração amarelada, tornando-se avermelhados com o passar do tempo. Com o desenvolvimento do micélio do fungo sobre os bulbos afetados, estes adquirem uma coloração marrom-escura a preta. Freqüentemente, apenas algumas escamas mais externas são afetadas pelo patógeno mas, algumas vezes, o ataque abrange o bulbo inteiro.

Etiologia - A mancha púrpura é causada pelo fungo Alternaria porri, Deuteromiceto da Ordem Moniliales, família Dematiaceae. Forma conidióforos individuais ou em grupos, septados, de coloração palha a marrom-claro, que carregam conídios com formato obcláveo. Os conídios variam em coloração, podendo ir do palha ao marrom-claro, apresentam septos longitudinais e transversais. Não se conhece a forma perfeita deste fungo.

O fungo sobrevive de uma estação de cultivo para outra sob a forma de micélio, cm restos de cultura. Quando as condições são favoráveis, particularmente com ocorrência de alta umidade relativa, ocorre formação de conídios sobre os restos de cultura. Disseminados por respingos de chuva, água de irrigação e pelo vento, os conídios atingem facilmente as folhas de plantas cm desenvolvimento no campo, sobre as quais germinam, formando o pró-micélio. Há, posteriormente, a formação do apressório e a penetração ocorre através de ferimentos, estômatos ou diretamente pela cutícula das folhas. Como a resistência das folhas à infecção está diretamente relacionada com a presença e espessura da cutícula, folhas mais velhas são mais suscetíveis ao ataque que folhas novas, assim como folhas afetadas por insetos, como Thrips tabaci.

A umidade é o fator ambiental mais importante para o desenvolvimento da doença. Em condições de baixa umidade relativa do ar, mesmo que ocorra infecção, há o surgimento de manchas esbranquiçadas e estéreis, sem a formação de novos esporos do fungo. A faixa de temperatura ótima para o crescimento é 2l-300C.

A gama de hospedeiros deste patógeno inclui cebola (Allium cepo), alho (A. sativum), alho-poró (A. ampeloprasum) e cebolinha (A. fistulosum), além de outras espécies do gênero Allium.



Controle - A utilização de variedades resistentes é uma das medidas de controle indicadas para esta doença. As variedades Roxas do Barreiro, Precoce Piracicaba, Monte Alegre e Baia Periforme, de cebola, assim como Chonan, Roxo-Pérola de Caçador e Centenário, de alho, mostram-se mais resistentes. Rotações de cultura e práticas que reduzam as horas de molhamento foliar, como boa drenagem do solo e menor densidade de plantas, são recomendadas para o controle da doença. Aplicações de fungicidas à base de mancozeb, iprodione, chlorothalonil e vinclozoline são efetivas no controle da doença, devendo-se tomar cuidado com o surgimento de resistência mia população do patógeno, não baseando o controle em um único fungicida.
FERRUGEM - Puccinia porri G Wint. (smn Puccinia alui Rudolphi)

Apesar de incidir sobre várias espécies do gênero AI/iam, a ferrugem é especialmente importante para o alho e cebolinha. Sua severidade é variável, dependendo das condições climáticas e do estádio de desenvolvimento da cultura.



Sintomas - As plantas são suscetíveis à doença em qualquer estádio de desenvolvimento. Inicialmente, aparecem sobre as folhas pequenas pontuações esbranquiçadas, que evoluem para pústulas alaranjadas, circulares, medindo 1-3 mm, recobertas pela cutícula da folha. Estas pústulas correspondem à fase uredial do fungo. Com o passar do tempo, há o rompimento da cutícula que recobre as pústulas, com exposição de uma massa pulverulenta de coloração amarelada, constituída de uredósporos do fungo. Num estádio mais avançado da doença, teliósporos de coloração marrom-escura podem se formar nas pústulas. Folhas com alta severidade podem se tornar amareladas e morrer, causando o depauperamento das plantas, com formação de bulbos de tamanho reduzido. Quando ocorre em canteiros de mudas, a doença pode levá-las à morte.

Etiologia - A doença é causada pelo fungo basidiomiceto Puccinia porri, da ordem Uredinales. E provavelmente autoécio, com todas as fases de seu ciclo de vida ocorrendo sobre um mesmo hospedeiro. As fases de pícnio e écio são raras na natureza. A doença ocorre mais freqüentemente em condições de alta umidade relativa do ar e baixa índice pluviométrico. Temperaturas moderadas favorecem a infecção, sendo a mesma inibida quando valores acima de 240C e abaixo de 100C são registrados. Plantas estressadas, expostas a condições de seca ou umidade em excesso, bem como a adubações desequilibradas, com pesadas aplicações de nitrogênio e matéria orgânica, ou ainda cultivadas em solos compactados e de baixada, são mais suscetíveis ao ataque.

Controle - A utilização de cultivares mais resistentes à doença, como Caiano Roxo, Gigante de Lavínia e Centenário, é recomendada. Com relação ao manejo da cultura, é importante evitar-se o plantio em solos compactados, de baixada, bem como adubações desequilibradas. O controle químico é efetivo, sendo utilizado com freqüência nas lavouras de alho. Fungicidas à base de mancozeb, maneb, triadimefon, bitertanol, oxicloreto de cobre e propiconazole mostram-se eficientes no controle da doença.
ANTRACNOSE FOLIAR, CACHORRO QUENTE OU MAL-DE-SETE­VOLTAS Glomerella cingulata (Stonemam) Spaud. & H. Schrenk. (Colletotrichum gloeosporioides (sensu V. Arx, 1957) f. sp. cepae)

Esta doença, que ocorre em plantações de cebola desde a fase de canteiro até a colheita e armazenamento dos bulbos, é de grande importância em várias regiões produtoras do Brasil. Embora inicialmente considerada como uma doença tipicamente brasileira, tem sido descrita cm outros países, como a Nigéria, recebendo o nome de “twister” e causando perdas de produção da ordem de 50-100%. No Brasil, o nome “mal-de-sete-voltas” costumava ser empregado para outras enfermidades como a podridão basal, causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. cepae. Atualmente, a denominação tem sido quase que exclusivamente utilizada com referência à antracnose foliar. o que foi favorecido com a descrição do agente causal desta como sendo C. gloeosporioides f. Sp. cepae evitando as controvérsias que ocorriam por Ocasião das primeiras constatações da doença em nosso país.



Sintomas - Em canteiros de mudas, a doença manifesta-se sob a forma de tombamento (“damping-off”), mela ou estiolamento. Mesmo antes da emergência, as modinhas podem apodrecer, ficando recobertas por uma massa rosada de esporos do longo.

No campo, onde a doença caracteristicamente distribui-se em reboleiras, os sintomas mais comuns são enrolamento, curvatura e amarelecimento de folhas. Ocorre alongamento e rigidez na região do pescoço das plantas, onde pode-se verificar grande abundância de pontuações pretas, constituídas de acérvulos do patógeno. Nas folhas, aparecem lesões alongadas, deprimidas, de coloração parda, dentro das quais também se formam numerosos acérvulos. normalmente distribuídos em círculos concêntricos. Estas lesões podem crescer e coalescer, provocando a morte das folhas, que caem e deixam o talo nu, resultando na produção de bulbos pequenos e que apodrecem rapidamente durante o armazenamento. A partir dos acérvulos, em condições de muita umidade, são liberadas massas gelatinosas de coloração rosada ou alaranjada, que contem os esporos do fungo.



Etiologia - Em 1961, o agente causal desta doença foi identificado como sendo Colletotrichum chardonianum Nolla que, segundo Arx é sinônima de Colletotrichum gloeosporioides. Em 1979, após ter-se demonstrado na ESALQ, Piracicaba, que o fungo que infectava cebola tinha especificidade de hospedeiro, ou sendo o mesmo que ocorre em outras culturas, foi sugerido o nome Colletotrichum gloeosporioides (sensu Arx. 1957) f. sp. cepae para se referir aos isolados patogênicos à cebola. Esta tem sido a denominação aceita em nosso país até os dias atuais. Em outros países onde ocorre, a causando apenas como causando doença denominada “twister’’, fungo é classificado C. gloeosporioides (Penz.) Penz. & Sacc., sem referência à forma especial. mas sim a fase sexuada Glomerella cingulata.

C. gloeosporioides f. sp. cepae é um fungo Deuteromiceto que produz acérvulos sobre uma base estomática subcuticular que, na maturidade, rompem a cutícula pela formação de conidióforos e setas, expondo as frutificações. Os conídios são hialinos, unicelulares, cilíndricos com as listras obtusas e asseptados. Seu formato elipsoidal distingue-os nitidamente dos de C. dematium f.sp. circinans, agente causal da antracnose da cebola branca.

O fungo sobrevive no solo, em restos de culturas e nas sementes. A disseminação a longas distâncias, de um campo para outro, dá-se principalmente através de sementes, bulbinhos e mudas contaminadas. Dentro de um mesmo campo, de uma planta para outra, os conídios são disseminados principalmente pelos respingos de água de chuva ou de irrigação, que conseguem dissolver a massa mucilaginosa que os envolve. Os conídios que são depositados sobre tecido hospedeiro, em condições de alta umidade e temperaturas entre 23-300C, germinam formando tubo germinativo, apressório e então penetram diretamente o tecido através da cutícula. Através de inoculações artificiais, verificou-se que, além da cebola, este fungo pode infectar outras espécies do gênero Allium, como A. cepae var. aggregatum, A. fistulosum e Allium porrum.



Controle - O controle desta doença nas nossas condições é baseado principalmente na aplicação de fungicidas, destacando-se aqueles à base de benomyl e tiofanato metílico. Com relação à utilização de materiais resistentes, vários testes têm sido feitos para identificar esta característica em diferentes populações. Para cebolas de ciclo de dias curtos, verificou-se que o cultivar Barreiro é uma boa fonte de resistência, e alguns de seus híbridos com Baia Periforme, como Pira Ouro, Pira Lopes e Pira Tropical apresentam algum nível de resistência. Variação no índice de resistência de diferentes materiais também parece ocorrer em populações de cebolas de ciclos de dias longos. Não há, entretanto, nenhuma variedade comercial totalmente resistente ao patógeno.
MÍLDIO - Peronospora destructor (Berk.) Casp.

Esta doença é cosmopolita, embora tenha sua importância variável com as condições de clima de cada região. No Brasil, tem maior importância nas áreas produtoras de cebola do sul do país. No Estado de São Paulo é de ocorrência restrita a certas áreas e épocas do ano, quando ocorrem condições muito favoráveis ao seu desenvolvimento.



Sintomas - Folhas e hastes florais são afetadas pelo patógeno. Nas folhas, a doença caracteriza-se por lesões grandes (3-30 cm de comprimento), alongadas no sentido das nervuras, geralmente apresentando zonas concêntricas de tecido clorótica e de várias tonalidades de verde, com centro necrótico, muitas vezes recobertas por eflorescência de coloração violeta, especialmente em períodos de maior umidade. As folhas afetadas tornam-se gradualmente amarelecidas, podendo dobrar-se e morrer. E muito comum ocorrer a invasão dos tecidos afetados por outros fungos, como Alternaria, que esporulam abundantemente sobre as lesões, mascarando os sintomas de míldio e dificultando sua diagnose.

Nas hastes florais, as lesões são muito semelhantes às das folhas, freqüentemente afetando apenas um lado da haste. Pode ocorrer quebra da haste floral, que não sustenta o peso da inflorescência, com conseqüências muito semelhantes às descritas para mancha púrpura. O agente causal do míldio pode afetar as flores, sendo carregado pelas sementes.

Pode ocorrer infecção sistêmica, em plantas provenientes de bulbos infectados, que mostram-se, então, subdesenvolvidas e exibem nas folhas, além de coloração menos intensa, numerosas manchas brancas, pequenas, que podem ser confundidas com aquelas causadas por Botrytis ou tripes. Algumas vezes, bulbos com infecção sistêmica podem, depois de certo tempo de armazenamento, desenvolver uma podridão aquosa.

Etiologia - A doença é causada por Peronospora destructor, da classe Oomycetes, ordem Peronosporales, que produz esporangióforos não septados, com duas a seis ramificações e que carregam 3-63 esporângios piriformes a fusiformes. O micélio deste fungo é cenocítico e localiza-se intercelularmente nos tecidos das plantas hospedeiras. Produz ainda oósporos globosos, que são freqüentemente muito numerosos.

O fungo sobrevive em plantas voluntárias de cebola, na forma de oósporos, ou como micélio em bulbos e sementes infectados, embora estas últimas não pareçam ter grande importância epidemiológica.

O plantio de bulbos infectados aparece como o ponto inicial do ciclo primário da doença em um campo e a disseminação planta a planta dá-se através de esporângios carregados por correntes de ar ou água. Temperaturas relativamente baixas (inferiores a 220C) e alta umidade relativa (acima de 95%) favorecem o desenvolvimento e reprodução do fungo. Algumas horas com tempo seco e ensolarado são suficientes ia para impedir o progresso da doença no campo. A gama de hospedeiros deste patógeno inclui várias espécies do gênero Allium, selvagens ou cultivadas, como cebola, de cebolinha, alho, alho-poró e outras.

Controle - Medidas de controle envolvem a escolha de local adequado para o plantio, evitando áreas de solo mal drenado e sujeitas à alta umidade relativa do ar; plantio de bulbos sadios; espaçamento não adensado; pulverizações com fungicidas à base de cobre, metalaxyl e ditiocarbamatos, embora as características da doença e da as planta, como a presença de cera nas folhas e a emergência contínua de folhas, a geralmente tornem os resultados das pulverizações pouco satisfatórios.
QUEIMA DAS PONTAS - Botryotinia squamosa Vien.-Bourg. (Botrytis squamosa Walker)

Muitas espécies de Botrytis podem estar associadas a plantas de cebola onde quer que estas sejam cultivadas, destacando-se duas doenças principais causadas por estes fungos: queima das pontas e podridão do pescoço.

A queima das pontas é uma das mais importantes doenças desta cultura no Brasil, embora não seja normalmente considerada como tal. A dificuldade no diagnóstico desta doença, pelo fato de seus sintomas serem muito semelhantes aos ocasionados por seca, excessiva umidade do solo, oxidação por ozônio, ataque por tripes, entre outros, aliada ao difícil isolamento do agente causal, é o que mais prejudica a adequada avaliação da importância da doença nas nossas condições.

Sintomas - Manifestam-se inicialmente sob a forma de pequenas manchas esbranquiçadas, com cerca de 2 mm de diâmetro, no limbo foliar. Posteriormente ocorre a morte progressiva dos ponteiros, cuja intensidade é diretamente proporcional ao número de lesões que ocorriam anteriormente na folha.

As lesões nas folhas normalmente ocorrem quando os bulbos ainda não estão totalmente formados, o que faz com que os mesmos permaneçam pequenos, com os tecidos do pescoço amolecidos. Após a colheita e retirada da parte aérea, estes bulbos tomam-se altamente suscetíveis ao ataque por vários outros microrganismos causadores de podridões pós-colheita. O mesmo tipo de lesão que ocorre nas folhas também pode ser visualizado nas hastes florais. O fungo pode ocorrer também em fase de canteiros de mudas, causando morte de plântulas.



Etiologia - O agente causal da doença é Botrytis squamosa, que produz micélios septado, hialino, com ramificações que podem dar origem a conidióforos que sustentarão os conídios. O fungo pode formar, ainda, escleródios sobre restos de cultura ou na região do pescoço dos bulbos de plantas afetadas. Tais escleródios, que medem 3-10 mm, são geralmente elípticos, embora muitos apresentem formato irregular. A forma perfeita deste fungo é Botryotinia squamosa Vien .-Bourg.

A doença é favorecida por temperatura baixa (20-250C) e umidade relativa do ar alta (acima de 75%), principalmente com ocorrência de cerração seguida de sol forte. A ocorrência de queima depende do número de horas de água livre sobre as folhas, sendo tanto maior quanto mais tempo estas se mantiverem úmidas e quase desaparecendo quando as condições são muito secas, mesmo que ocorram muitas manchas esbranquiçadas na superfície do limbo foliar.

As folhas mais velhas são mais suscetíveis à infecção. O fungo não consegue penetrar diretamente pela superfície de folhas jovens. Neste caso, destaca-se a importância de ferimentos provocados por tripes, queimadura pelo sol e outras doenças, como o míldio, no favorecimento da infecção. O fungo sobrevive entre as estações de cultivo sob a forma de escleródios no solo ou micélio cm bulbos e restos de cultura. Este patógeno só é relatado em plantas do gênero Allium, sendo mais importante para cebola. Allium fistulosum (cebolinha japonesa) é resistente à doença, enquanto A. schoenoprasum (cebolinha) e A. bouddhae (outro tipo de cebolinha japonesa) são totalmente imunes.

Controle - Pulverizações com fungicidas à base de benomyl, tiofanato metílico e carbendazin; plantio em locais e épocas não sujeitas à ocorrência de cerrações; plantio não adensado; eliminação ou incorporação de restos de cultura e rotação de culturas são medidas de controle recomendadas para esta doença.
ANTRACNOSE DA CEBOLA BRANCA Colletotrichum circinans (Berk.) Voglimio sin. C. dematium (Pers. ) Grove f. sp circinans (Berk) Arx e Vermicularia circinans Berk.)

Esta doença é muito comum na Europa, onde foi descrita pela primeira vez na Inglaterra, em 1951, e Estados Unidos, sendo também relatada no Japão. Argentina e Itália. Nos países de língua inglesa é denominada “smudge”. No Brasil, devido à predominância de variedades de bulbos coloridos, que são resistentes, tem importância mais restrita, embora possa ser responsável por danos quando ocorre em fase de canteiros de mudas.



Sintomas - Esta doença ocorre praticamente apenas na escama mais externa dos bulbos brancos, sob a forma de pequenos estromas subcuticulares verde-escuros, que tornam-se pretos com passar do tempo. Em condições de alta umidade, formam-se acérvulos com massa de esporos de cor creme, sobre tais estromas. E muitas vezes comi fundi da com outras doenças, como a podridão branca e o carvão. Quando inoculado artificialmente, o fungo é capaz de provocar subdesenvolvimento e até morte de plântulas de cebola, até mesmo em variedades pigmentadas como Texas Grano 502 e Roxa Chata de Piracicaba.

Etiologia - O agente causal da doença é Colletotrichum circinans. Apresenta micélio septado. Ramificado, hialino quando novo tornando-se escuro e mais grosso com a idade, forma conídios hialinos. Fusiformes, unicelulares, em acérvulos geralmente ricos em setas. Podo produzir também clamidósporos intercalares nas hifas.

O patógeno é capaz de sobreviver no solo, provavelmente na formado estromas em restos de culturas as escamas de cebola, ou ainda como saprófita, podendo permanecer viável por muitos anos, na ausência do hospedeiro. A infecção dá-se diretamente pela cutícula. O fungo produz enzimas pectolíticas de grande importância na patogênese.

A faixa de temperatura favorável ao patógeno é bastante ampla, de 10 a 30ºC. A germinação dos esporos e a infecção ocorrem mais abundantemente entre 13 e 20ºC. Umidade elevada é essencial para a formação o disseminação dos conídios, através de respingos de chuva ou água de irrigação.

A ocorrência de infecção e a invasão dos tecidos são restringidas pela presença de compostos fenólicos pré-formados (catecol e pirocatecol), presentes em grande quantidade em variedades de cebola do bulbo colorido, o que condiciona a resistência das mesmas à doença. Estas substâncias são hidrossolúveis se difundem na gota de infecção, impedindo a germinação dos conídios do fungo. Variedades brancas não possuem tais substâncias o por isso são suscetíveis à doença.



Controle - O uso de variedades de escamas coloridas é suficiente para impedir a ocorrência da doença. Quando deseja-se plantar variedades brancas, devo-se fazer rotação de culturas o promover boa drenagem do solo; proteger os bulbos colhidos da chuva, usar sementes ou mudas sadias o estocar os bulbos em temperaturas baixas (OºC) e umidade ce tomo de 65%.
RAÍZES ROSADAS - Pyrenochaeta terrestris (Hans) Gorenz. Walker & Larson

Esta doença já foi constatada em várias regiões do Brasil, tendo sua importância subestimada pelos poucos estudos a ela dedicados nas nossas condições. Entretanto, as condições que ocorrem nas áreas produtoras de cebola são geralmente muito propícias ao seu desenvolvimento, o que aumenta a necessidade de atenção que deve ser dada à mesma. O fungo agente causal da doença é importante para cebola, sondo que alguns isolados são também patogênicos a outras plantas, como pimenta, tomate, soja, trigo, melancia, pepino e berinjela, entre outros. É uma doença de ocorrência generalizada cm todo o mundo, sendo uma das mais devastadoras em áreas de clima quente produtora de cebola.



Sintomas - A doença pode afetar a planta em todos os estágios do seu desenvolvimento, porém é mais comumente observada em plantas próximas à maturidade. O sintoma mais característico é a coloração inicialmente rosada, passando para vermelho, púrpura, pardo o preto, apresentado pelas raízes afetadas. A evolução de cores é acompanhada pelo enrugamento dos tecidos e morte da raiz, resultando em redução do suprimento nutricional da planta, que irá formar bulbos menores. Plântulas infectadas na fase de canteiro podem morrer e aquele que sobrevivem ficam menores e dá origem a bulbos enrugados o menores, indesejáveis para a comercialização.

Etiologia - Descrito primeiramente como Phoma terrestris (Hans.) e posteriormente como Pyrenochaeta terrestris (Hans.) Gorenz, Walker & Larson, o patógeno é um fungo Deuteromiceto, que produz picnídios ostiolados providos de setas, globosos a subglobosos, onde são produzidos conídios unicelulares, hialinos, oblongo-ovóides, que medem 1,8-2,4 por 3,7-5,8 m. Os picnídios formam-se sobre raízes ou escamas basais de plântulas ou plantas adultas de cebola. O micélio do fungo é septado, ramificado e hialino. Clamidósporos intercalares podem ser produzidos em meio de cultura ou raízes de cebola.

O fungo é habitante do solo, sendo capaz de sobreviver nesse ambiente até uma profundidade de 45 cm, possivelmente na forma de picnídios e clamidósporos. A sobrevivência ocorre também em restos de culturas de plantas suscetíveis. A penetração nos tecidos do hospedeiro dá-se diretamente pela cutícula, com o patógeno produzindo uma série de toxinas envolvidas na patogênese. O intervalo ótimo de temperatura para o desenvolvimento da doença e também do fungo em meio de cultura é de 24 a 280C. A presença de alta umidade no solo durante períodos longos é importante fator que predispõe a planta ao ataque do patógeno.



Controle - Quando possível rotação de culturas por pelo menos 3 anos com plantas não suscetíveis ao fungo é recomendada, uma vez que a doença é mais severa em áreas onde há cultivo contínuo de cebola. O uso de variedades resistentes também é medida de controle recomendada. Provavelmente, a pequena importância dada à doença em nosso país é devida à utilização de variedades resistentes, como Barreiro, Baia Periforme e Granex.

Para permitir o plantio de variedades suscetíveis, porém com boas características agronômicas, como Texas Grano, outras medidas de controle que podem ser adotadas são tratamento do solo com fumigantes e solarização, associados ou não. A solarização tem se mostrada muito efetiva na redução da doença e no aumento de produção nos Estados Unidos e em Israel, também sendo utilizada, associada à fumigação, na Austrália. Bom manejo da cultura, incluindo controle da irrigação, também reduz a ocorrência da doença.


PODRIDÃO BRANCA - Sclerotium cepivorum Berk

Esta é uma das mais importantes, cosmopolita e destrutiva doença que ocorre sobre espécies de Allium. Nas nossas condições, é conhecida há muito tempo, afetando principalmente culturas do alho e cebola, embora possa afetar também alho-poró (A. ampeloprasum) e cebolinhas (A. fistulosum e A. schoenoprasum). Tem ocorrência generalizada nas regiões serranas de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.



Sintomas - A doença manifesta-se principalmente no campo, sendo raros os casos de perdas durante o armazenamento. A morte de plântulas não é muito comum, embora seja muito rápida quando ocorre. No campo, os sintomas são observados geralmente em reboleiras, com plantas subdesenvolvidas, mostrando amarelecimento e morte de folhas mais velhas, seguidos por murcha e apodrecimento dos bulbos.

Na planta doente observa-se, junto ao solo e sobre os bulbos, sob condições de alta umidade, crescimento micelial esbranquiçado (podridão branca), que com o decorrer do tempo vai dando lugar a inúmeros escleródios que dão um aspecto enegrecido aos bulbos afetados (podridão preta). As raízes também sofrem apodrecimento e as plantas são facilmente arrancadas do solo. A presença dos escleródios junto aos bulbos é extremamente importante na diagnose da doença, uma vez que outros sintomas, particularmente da parte aérea das plantas, podem ser confundidos com aqueles provocados por outras causas.



Etiologia - O agente causal da doença é Sclerotium cepivorum, Deuteromiceto da Ordem Micelia Sterilia, cuja forma perfeita não foi ainda descrita. Não produz esporos funcionais conhecidos. As únicas estruturas reprodutivas são os escleródios, que podem persistir no solo por mais de 8 anos, na ausência de plantas hospedeiras. A disseminação ocorre através de bulbos contaminados, água de chuva e de irrigação que atravessam áreas contaminadas e implementos agrícolas.

Os escleródios podem ficar dormentes no solo, tendo sua germinação estimulada por compostos voláteis liberados pelas raízes de plantas do gênero Allium. A germinação se dá através de tufos de micélio que podem surgir de diferentes pontos do escleródio.

Temperaturas do solo entre 10 e 200C favorecem a infecção e rápido desenvolvimento da doença. A doença é mais severa em baixadas úmidas e o excesso de irrigação também pode contribuir para um rápido progresso da doença no campo.

Controle - O modo mais racional de controlar esta doença envolve a escolha de locais para o plantio que não estejam infectados e de épocas e locais menos favoráveis ao desenvolvimento da doença. Rotação de culturas e uso de variedades resistentes são pouco viáveis, devido às características da doença e ao fato de não se conhecer nenhuma espécie de Allium resistente.

Quando a incidência da doença é baixa, geralmente logo após sua introdução na árcade plantio, plantas infectadas devem ser destruídas e o solo, tratado com fumigantes.

Alguns fungicidas têm sido utilizados no controle da doença, como os dicarboximidas iprodione, vinclozolin, procymidone, mostrando-se eficientes para o tratamento de mudas e de bulbilhos antes do plantio, além de regas na cultura já instalada. Outros fungicidas, como diniconazole, tebuconazole e fluazinan, eficientes no controle de outros patógenos formadores de escleródios, mostram-se promissores para o controle de S. cepivorum. Produtos que estimulam a germinação de escleródios do fungo, visando sua erradicação do solo, também têm sido testados experimentalmente.

A solarização do solo também tem se mostrado eficiente no controle da doença, sendo utilizada no Egito e Israel.


PODRIDÃO BASAL - Fusarium oxysporum f.sp. cepae (Hans.) Snyder & Hans

Também conhecida como bico branco ou fusariose, ocorre em todo o mundo, sendo um dos principais problemas da cebola durante seu armazenamento e trânsito.



Sintomas - Plantas de alho e cebola podem ser infectadas em qualquer fase de seu desenvolvimento no campo. No início do desenvolvimento da cultura, no campo e em canteiros de mudas, a doença pode provocar tombamento. Em plantas mais desenvolvidas, manifesta-se inicialmente através de amarelecimento das pontas das folhas, que progride para a base até que todo o limbo seja tomado. As raízes das plantas afetadas apresentam-se com coloração marrom-escura, achatadas e ocas. Muitas vezes, as plantas afetadas podem não mostrar sintomas na parte aérea, mas cortando­se verticalmente o bulbo pode-se observar uma coloração marrom no seu interior. Nos bulbos, por ocasião da colheita ou posteriormente, ocorre uma podridão basal que caminha para cima, podendo destruir totalmente os tecidos do bulbo. Em condições de alta umidade pode-se observar um crescimento cotonoso, esbranquiçado, sobre o bulbo afetado, constituído de micélio do fungo.

Etiologia - Fusarium oxysporum f.sp. cepae (Hans.) Snyder & Hans, e um Deuteromiceto da Ordem Moniliales que produz clamidósporos, microconídios unicelulares e macroconídios em forma de canoa, com 3-4 septos. Outras espécies de Fusarium são citadas como causadoras de podridão basal, porém com menor freqüência.

O fungo é encontrado no solo, sobrevivendo por longos períodos na forma de clamidósporos. A infecção é Favorecida pela ocorrência de ferimentos causados por outros patógenos, como P terrestris. A disseminação no campo se dá através de água, solo, vento e mudas contaminadas. Durante o armazenamento, (a disseminação ocorre pelo contato) entre bulbos sadios c doentes. A presença de ferimentos nos bulbos favorece a penetração do fungo. As condições favoráveis à doença são temperaturas entre 26-280C e umidade alta.

Além de cebola, outras espécies cultivadas de Allium podem sofrer perdas com esta doença, como alho, chalota e cebolinha.

Controle - Rotação de culturas em locais onde há grande incidência da doença, utilizando plantas não suscetíveis por períodos de 4 anos; uso de sementes sadias; drenagem de solo muito úmido; prevenção de ferimentos, cura bem feita e armazenamento em temperaturas de 40C e baixa umidade são medidas de controle recomendadas para minimizar as perdas com a doença.

TOMBAMENTO OU “DAMPING-OFF”


O tombamento, mela ou “damping-off” esta tornado um dos problemas mais sérios na produção da cultura da cebola, não sendo rara a perda de grande parte das mudas em canteiros ou o aparecimento de falhas em culturas oriundas de semeadura direta. Ocorre cm estádios iniciais da cultura e caracteriza-se por necrose de sementes e plântulas, favorecida por alta umidade e baixa temperatura.

Muitos são os fungos capazes de provocar esta doença, como Colletotrichum circinans, C. gloeosporioides f. sp. cepae, Fusarium oxysporum f. sp. cepae, Pyrenochaeta terrestris, Pythium spp., phytophthora spp., e Rhizoctonia solani, o que dificulta e onera o controle da doença, baseado principalmente na utilização de fungicidas.

Tratamento de sementes com captan ou thiran e de solo com brometo de metila e PCNB são recomendados, embora estes últimos tenham limitações de ordem econômica. Rotação de culturas c boa drenagem do solo, especialmente para o caso de ataque por Pythium e Phytophthora também são essenciais.

OUTRAS DOENÇAS


A presença de virus que não levam ao aparecimento de sintomas, mas têm um efeito negativo sobre a produção e qualidade dos bulbos é comum em alho. Os vírus do gênero Carlavirus, caracterizados por partículas filamentosas de 600-670nm, são os mais comumente encontrados nestes casos, associados com no ou mais dos potyvirus citados anteriormente. ‘Shallot latent virus, encontrado também na chalota, cebola e alho-poró; “garlic latent virus” e “narcissus latent virus” são os principais representantes deste gênero de vírus já detectados em alho. Uma estirpe do “onion mite-borne latent virus”, possível espécie do gênero Rimovirus, da família Potyviridae, cujas partículas variam de 200-800 um de comprimento, também foi detectada em plantas de alho, causando infecção latente. Além da transmissão através da propagação vegetativa, este vírus pode passar de uma planta de alho para outra através da ação do ácaro Aceria tulipae.

Algumas bactérias podem estar associadas a plantas de alho e cebola, causando apodrecimento de bulbos e necroses foliares, destacando-se Pseudomonas gladiolí pv. aliicola (Burkholder) Young et al.; Erwinia herbicola (Löhnis) Dye; Pseudomonas syringae pv. syringae van Hall; Erwinia rhapontici (Millard) Burkholder e Pseudomonas margina1is (Brown) Stevens.

A cebola e o alho podem ainda ser afetados por várias doenças fúngicas, que geralmente têm importância secundária. Nas condições do Brasil, podemos citar: bolor azul, causado por Penicillium spp., que afeta principalmente alho em condições de armazenamento, mas pode incitar sintomas de podridão basal cm plantas originadas de bulbilhos contaminados; mancha foliar, cansada por Stemphylium vesicarium (Wallr.) Simmons, que comumente afeta folhas velhas já infectadas por Alternaria porri (mancha púrpura) ou Peronospora destructor (míldio); mancha oliva da cebola, causada por Heterosporium allii-cepae Ranojevic (sin. Cladosporium allii-cepae (Ranojevic) Ellis), detectada recentemente em diversas lavouras de cebola de Santa Catarina, causando sintomas foliares semelhantes àqueles provocados por A. porri (mancha púrpura) e Botrytis squamosa (queima das pontas), distinguindo-se destes pelo aspecto) verde-oliva sobre manchas de fundo claro; mofo cinzento ou podridão do pescoço, incitada por Botrytis allii Munn, e espécies correlatas, como B. byssoidea, ocorrendo com maior freqüência em brilhos armazenados, nos quais provoca podridão do pescoço que se cobre de um crescimento pardo-acinzentado e posteriormente, escleródios do fungo; mofo preto, causado por Aspergillus niger Thiegh., manifestando-se nas escamas externas dos bulbos, na forma de pó preto, constituída de massa de esporos do fungo. Rápida cura e armazenamento adequado previnem a ocorrência da doença; podridão de Phytophthora, detectada mia região de São José do Rio Pardo, onde recebe o nome de cabeça murcha, manifestando-se em sementeiras e ocasionando sintomas de murcha e tombamento de folhas, e podridão de raízes, cansada por Sclerotium rolfsii Sacc., observada ocasionalmente em final de ciclo de culturas de cebola e alho.
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DOENÇAS DO AMENDOIM

(Arachis hypogaea L.)

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