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29 de Junho Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo


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29 de Junho

Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo

Líturgia do Dia


1ª Leitura At 12,1-11

1 Nesse tempo, o rei Herodes começou a perseguir alguns membros da Igreja, 2 e mandou matar à espada Tiago, irmão de João. 3 Vendo que isso agradava aos judeus, decidiu prender também Pedro. Eram os dias da festa dos pães sem fermento. 4 Depois de o prender, meteu-o na prisão e confiou-o à guarda de quatro grupos de quatro soldados cada um. Herodes tinha a intenção de apresentar Pedro ao povo a seguir à Páscoa. 5 Pedro estava vigiado na prisão, mas a oração fervorosa da Igreja subia continuamente até Deus, intercedendo em favor dele.

6 Herodes estava para apresentar Pedro. Nessa mesma noite, Pedro dormia entre dois soldados. Estava preso com duas correntes, e os guardas vigiavam a porta da prisão. 7 De repente, apareceu o anjo do Senhor, e a cela ficou toda iluminada. O anjo tocou no ombro de Pedro, acordou-o, e disse-lhe: «Levanta-te depressa». As correntes caíram das mãos de Pedro. 8 E o anjo continuou: «Aperta o cinto e calça as sandálias». Pedro obedeceu, e o anjo disse-lhe: «Embrulha-te na capa e vem comigo». 9 Pedro acompanhou o anjo, sem saber se era mesmo realidade o que o anjo fazia, pois achava que tudo aquilo era uma visão. 10 Depois de passarem pela primeira e segunda guarda, chegaram ao portão de ferro que dava para a cidade. O portão abriu-se sozinho. Eles saíram, entraram numa rua, e logo depois o anjo deixou-o.

11 Então Pedro caiu em si e disse: «Agora sei que o Senhor de facto enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu queria fazer-me».


Salmo Responsorial Sl 34,2-9

2 Vou bendizer a Javé em todo o tempo,

o seu louvor estará sempre na minha boca.

3 Eu orgulho-me por causa de Javé:

que os pobres ouçam e se alegrem.

4 Repeti comigo: Javé é grande!

Juntos exaltemos o seu Nome.

o vosso rosto não ficará envergonhado.

7 Este pobre gritou, Javé ouviu-o,

e salvou-o de todas as dificuldades.

8 O anjo de Javé acampa

ao redor dos que O temem, e liberta-os.

9 Provai e vede como Javé é bom:

feliz o homem que n'Ele se abriga.


2ª Leitura 2Tm 4,6-8.17-18

6 Quanto a mim, o meu sangue está para ser derramado em libação, e chegou o tempo da minha partida. 7 Combati o bom combate, terminei a minha corrida, conservei a fé. 8 Agora só me resta a coroa da justiça que o Senhor, justo Juiz, me entregará naquele Dia; e não somente a mim, mas a todos os que tiverem esperado com amor a sua manifestação.

17 Mas o Senhor ficou comigo e encheu-me de força, a fim de que pudesse anunciar toda a mensagem, e ela chegasse aos ouvidos de todas as nações. E assim fui libertado da boca do leão. 18 O Senhor me libertará de todo o mal e me levará para o seu Reino eterno. Ao Senhor, glória para sempre. Ámen!
Evangelho Mt 16,13-19

13 Jesus chegou à região de Cesareia de Filipe e perguntou aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do Homem»? 14 Eles responderam: «Alguns dizem que é João Baptista; outros, que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas». 15 Então Jesus perguntou-lhes: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» 16 Simão Pedro respondeu: «Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo». 17 Jesus disse: «És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no Céu. 18 Por isso Eu te digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder da morte nunca poderá vencê-la.

19 Dar-te-ei as chaves do Reino do Céu, e o que ligares na Terra será ligado no Céu, e o que desligares na Terra será desligado no Céu».

Comentário



Festa de São Pedro e São Paulo
Tão distante como o século quarto se celebrava uma festa em memória dos Santos Pedro e Paulo no mesmo dia, ainda que o dia não fosse o mesmo no Oriente e em Roma. O Martirológio Sírio de finais do século quarto, que é um extrato e um Catálogo Grego de santos da Ásia Menor, indica as seguintes festas em conexão com o Natal (25 de dezembro): 26 de dezembro Santo Estêvão, 27 de dezembro São Tiago e São João; 28 de dezembro São Pedro e São Paulo.

A festa principal dos Santos Pedro e Paulo foi mantida em Roma em 29 de junho desde o século terceiro ou quarto. A lista de festas de mártires no Cronógrafo de Filócalo coloca esta nota na data - "III. Kal. Jul. Petri in Catacumbas et Pauli Ostiense Tusco et Basso Cose". (= o ano 258). O "Martyrologium Hieronyminanum" tem, no Berne MS., a seguinte nota para o dia 29 de junho: "Romae via Aurelia natale sanctorum Apostolorum Petri et Pauli, Petri in Vaticano, Paulo in via Ostiensi utrumque in catacumbas, passi sub Nerone, Basso et Tusco consulibus"

A data 258 nas notas revela que a partir desse ano se celebrava a memória dos dois Apóstolos em 29 de junho na Via Apia ad Catacumbas (perto de São Sebastião fuori le mura), pois nesta data os restos dos Apóstolos foram trasladados para o local descrito acima. Mais tarde, talvez com a construção da Igreja sobre as tumbas no Vaticano e na Via Ostiensi, os restos foram restituídos a seu anterior descanso: os de Pedro na Basílica Vaticana e os de Paulo na Igreja na Via Ostiensi.

No local Ad Catacumbas foi construído, tão longínquo como no século IV, uma igreja em honra aos dois Apóstolos. Desde o ano 258 guardou-se a festa principal em 29 de junho, data em que desde tempos antigos celebrava-se os Serviço Divino solene nas três igrejas acima mencionadas.

A lenda procurou explicar que os Apóstolos ocupassem temporariamente o sepulcro Ad Catacumbas mediante a suposição que, em seguida da morte deles os Cristãos o Oriente desejassem roubar seus restos e levá-los para o Leste. Toda esta história é, evidentemente, produto da lenda popular.

Uma terceira festividade dos Apóstolos tem lugar em 1 de agosto: a festa das Correntes de São Pedro. Esta festa era originalmente a de dedicação da igreja do Apóstolo, erigida na Colina Esquilina no século IV. Um sacerdote titular da Igreja, Filipo, foi delegado papal ao Concílio de Éfeso no ano 431. A igreja foi reconstruída por Sixto II (432) às custas da família imperial Bizantina. A consagração solene pode ter sido em 1o de agosto, ou este foi o dia da dedicação da igreja anterior. Talvez este dia foi escolhido para substituir as festas pagãs que se realizavam em 1o de agosto. Nesta igreja, ainda de pé (S. Pedro em Vincoli), provavelmente se preservaram desde o século quarto das correntes de São Pedro que eram muito grandemente veneradas, sendo considerados como relíquias apreciadas os pequenos pedaços de seu metal.

De tal modo, a igreja desde muito antigamente recebeu o nome in Vinculis, convertendo-se a festa de 1o de agosto na festas das correntes de São Pedro. A memória de ambos Pedro e Paulo foi mais tarde relacionada com os lugares da antiga Roma: a Via Sacra, nas proximidades do Foro, onde se dizia que foi atirado ao solo o mago Simão diante da oração de Pedro e a cárcere de Tullianum, ou Cárcere Mamertinus, onde se supõe que foram mantidos aos Apóstolos até sua execução.

Também em ambos lugares foram erigidos santuários dos Apóstolos e da cárcere Mamertina ainda permanece em quase seu estados original desde a longínqua época Romana. Estas comemorações locais dos Apóstolos estão baseadas em lendas e não há celebrações especiais nas duas igrejas. Entretanto, não é impossível que Pedro e Paulo tenham sido confinados na prisão principal de Roma na fonte do Capitólio, da qual fica como um resto a atual Cárcere Mamertinus.


Pedro
""
("Tu és o Cristo, o Filho de Deus Vivo". Mt 16,16)

No Novo Testamento podemos encontrar ampla evidência de que Pedro foi o primeiro em autoridade entre os apóstolos. Cada vez que os apóstolos são nomeados, Pedro encabeça a lista (Mt 10,1-4; Mc 3,16-19; Lc 6,14-16; At 1,13); algumas vezes aparece somente "Pedro e aqueles que estavam com ele" (Lc 9,32). Pedro era o primeiro que geralmente falava em nome dos apóstolos (Mt 18,21; Mc 8,29; Lc 12,41; Jo 6,69), e aparece em muitas cenas dramáticas (Mt 14,28-32; Mt 17,24, Mc 10,28).

Em Pentecostes, Pedro foi o primeiro que predicou à multidão (At 2,14-40), e foi Pedro que realizou a primeira cura milagrosa na nascente Igreja (At 3,6-7). Também foi a Pedro a quem veio a revelação de que os Gentis foram batizados e aceitos como cristãos (At 10,46-48).

Sua preeminente posição entre os apóstolos estava simbolizada no próprio princípio de sua relação com Cristo. Em seu primeiro encontro, Cristo disse a Simão que seu nome seria mudado para Pedro, que é traduzido como Rocha (Jo 1,42).

O fato é que - além da única vez que Abraão é chamado "rocha" (Hebraico: sur; aramaico: Kefa) em Isaías 51,1-2 - no Antigo Testamento somente Deus era chamado de rocha. Na antigüidade, a palavra rocha não era usada como nome próprio. Se você se dirige a um companheiro e lhe diz: "De agora em diante teu nome é Aspargo", as pessoas se surpreenderão. Por que Aspargo? Qual é a intenção disto? Que é que isto significa? Então, por que chamar "Rocha" a Simão, o pescador? Cristo não estava fazendo isto sem sentido, e tampouco os judeus, quando davam um nome.

Dar um novo nome é mudar a situação da pessoa, como quando o nome de Abrão foi mudado a Abraão (Gn 17,5), o de Jacó a Israel (Gn 32,28), o de Eliaquim a Joaquim (2Rs 23,34), os nomes dos quatro jovens hebreus - Daniel, Ananias Misael e Azarias - para Baltazar, Sidrak, Misak e Abdênago (Dn 1,6-8). Mas nenhum judeu tinha sido chamado de Rocha. Os judeus davam outros nomes tomados da natureza, como Barak ("relâmpago", Jz 4,6), Débora ("abelha", Gn 35,8) e Raquel ("ovelha", Gn 29,16), mas não Rocha.

No Novo Testamento, Tiago e João foram chamados por Cristo com o sobrenome de Boanerges, que significa "Filhos do Trovão", mas este nome nunca foi regularmente usado no lugar de seu nome original, e certamente não era tomado como um novo nome. Mas no caso de Simão-bar-Jonas, seu novo nome Kefas (em grego: Petrus) definitivamente substituiu o nome velho.
Como se deram as coisas
Não somente foi significante para Simão receber um novo e inusual nome, mas também foi importante o lugar onde Jesus solenemente mudou seu nome para Pedro. Isto sucedeu quando "Jesus veio à cidade de Cesaréia de Filipo" (Mt 16,13), uma cidade que Felipe, o Tetrarca, construiu em honra de César Augusto, que tinha morrido no ano 14 d.C.

A cidade estava situada perto das cascatas do rio Jordão e perto de um gigantesco muro de rocha de cerca de 60 metros de altura e 150 metros de largura, que é parte da parte sul do Monte Hermon. A cidade não existe atualmente, mas suas ruínas estão próximas a Banias, uma pequena cidade árabe, e na base do muro de rocha pode ser encontrada a sua esquerda um dos afluentes que alimentam o Jordão. Foi aqui onde Jesus se dirigiu a Simão e lhe disse: "Tu és Pedro" (Mt 16,18).

O significado deste fato ficou bem claro aos outros apóstolos. Como judeus devotos, eles sabiam que o lugar era verdadeiramente importante para o que estava sendo feito - mudar o nome de Simão. Ninguém acusou Simão por ter recebido somente ele esta honra, e no resto do Novo Testamento é chamado por seu novo nome, enquanto Tiago e João continuaram se chamando Tiago e João, e não Boanerges.
Promessas a Pedro
Quando Ele encontrou pela primeira vez Simão, "Jesus lhe fixou o olhar, e disse, 'tu és Simão, o filho de João? Chamar-te-ás Kefas (que significa Pedro)'" (Jo 1,42). A palavra "Kefas" em grego é meramente a tradução literal da palavra "Kefas" em aramaico. Então, depois que Pedro e os outros discípulos estavam com Cristo, eles regressaram outra vez a Cesaréia de Filipo, onde Pedro fez sua profissão de fé: "Tu és o Cristo, o Filho de Deus Vivo" (Mt 16,16). Jesus lhe disse que aquilo era uma verdade especialmente revelada a ele e então solenemente reiterou: "E eu te digo: tu és Pedro" (Mt 16,18). E a isto acrescentou a promessa de fundar a Igreja, de algum modo, fundada sobre Pedro (Mt 16,18).

Então duas coisas muito importantes foram dadas aos apóstolos: "Tudo o que ates na terra, será atado no céu, e tudo o que desates na terra, será desatado nos céus" (Mt 16,19). Aqui, Pedro foi distinguindo com a autoridade de perdoar os pecados e elaborar as regras disciplinares. Logo os apóstolos receberam similar poder, mas, neste caso, particularmente aqui recebe Pedro de modo singular. Também foi somente a Pedro que foi prometido: "Dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus" (Mt 16,19).

Naqueles tempos, a chave era sinal de autoridade. Uma cidade cercada de muralhas tinha uma grande porta, e essa porta tinha uma grande fechadura que funcionava com uma grande chave. Dar a chave da cidade (uma honra que ainda existe hoje em dia, ainda que não haja portas) é também dar livre acesso e autoridade sobre a cidade. A cidade da qual Pedro estava recebendo a chave era nada mais e nada menos que a própria Cidade Celestial. Este mesmo simbolismo para a autoridade é usado em outra parte da Bíblia (Is 22,22; Ap 1,18).

Finalmente, após a Ressurreição, Jesus apareceu para os seus discípulos e perguntou três vezes a Pedro: "Tu me amas?" (Jo 21,15-17). Em arrependimento por suas três negações, Pedro fez uma tríplice afirmação de amor. Então, Cristo, o Bom Pastor (Jo 10,11.14), deu a Pedro a autoridade que havia prometido: "Apascenta as minhas ovelhas" (Jo 21,17).

Isto especificamente incluía os outros apóstolos, já que Jesus perguntou a Pedro, "Tu me amas mais do que estes?" (Jo 21,15) - a palavra "estes" se refere aos outros apóstolos que estavam presentes (Jo 21,2) -. Isto aconteceu para que se cumprisse a profecia feita antes de Jesus e seus discípulos estarem pela última vez no Monte das Oliveiras. Antes de sua negação Jesus disse a Pedro: "Simão, Simão, eis que Satanás pediu insistentemente para vos peneirar como trigo; eu, porém, orei por ti, a fim de que tua fé não desfaleça. Quando, porém, te converteres, [depois de sua negação] confirma teus irmãos." (Lc 22,31s). Foi por Pedro que Cristo rezou para que não lhe faltasse a fé e para que fosse o guia dos outros, e sua oração, sendo perfeitamente eficaz, seria cumprida certamente.

Quem é a rocha? Voltemos nossa atenção para o verso-chave: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja" (Mt 16,18). A discussão sobre este verso sempre se voltou para o significado da palavra "pedra" ou "rocha". A quem Jesus se refere? Visto que o novo nome de Simão, Pedro, por si só significa "rocha", a frase pode ser reescrita como "Tu és Rocha e sobre esta rocha edificarei minha Igreja". O jogo de palavras é óbvio, mas muitos comentaristas, desejando evitar o que segue (a instituição do papado), têm insinuado que a palavra rocha não pode referir-se a Pedro, mas sim à sua profissão de fé ou ao próprio Cristo. Do ponto de vista gramatical, a frase "esta rocha" deve referir-se ao substantivo mais próximo. A profissão de fé de Pedro ("Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo"), é feita a dois versículos do termo em análise, enquanto que seu nome, um nome próprio, está precedendo imediatamente a cláusula. Consideremos como analogia esta paráfrase: "Eu tenho um carro e um caminhão, e este é azul." Qual é o azul? O caminhão, porque é o substantivo mais próximo ao pronome "este". Tudo isto seria mais claro se a referência ao carro fosse a duas frases da que contém o adjetivo "azul", como a referência à profissão de fé de Pedro está a duas frases do termo "rocha".


Um olhar para o Aramaico
Os que se opõe à interpretação católica de Mt 16,18 algumas vezes argumentam que no texto grego o nome do apóstolo é "Petros", enquanto "rocha" é traduzida como "pedra" (petra). Eles dizem que a primeira palavra (petros) significa uma pequena pedra e que a segunda (petra) é uma grande massa de rocha, então, se Pedro foi pensado para ser uma grande rocha, por que seu nome não é "Petra"? Mas, observe que Cristo não falou para os seus discípulos em grego.

Ele falou em aramaico, uma linguagem popular na Palestina de então. Nessa língua a palavra para "rocha" era "Kepha", que é a utilizada por Jesus em sua linguagem comum (repare que em Jo 1,42 Ele disse: "chamar-te-ás Cefas"). O que Jesus disse em Mt 16,18 foi isto: "Tu és Kepha, e sobre esta kepha edificarei minha Igreja."

Quando o evangelho segundo São Mateus foi traduzido do aramaico original para o grego surgiu um problema que o evangelista não enfrentou quando compôs este compêndio da vida de Cristo. Em aramaico, a palavra kepha tinha o mesmo sentido final para se referir a uma grande rocha ou a um nome pessoal masculino. Em grego, a palavra para traduzir rocha, petra, é do gênero feminino. O tradutor poderia usá-la na segunda vez em que aparece a palavra na oração, mas não na primeira porque seria inapropriado dar a um homem um nome feminino. Por isso o tradutor pôs um final masculino nele, e este foi Petros.

Além disso, a premissa do argumento contra Pedro como rocha é simplesmente equivocada, pois no século primeiro as palavras gregas "petros" e "petra" eram sinônimos. Possuíram o significado de "pequena pedra" e "rocha grande", respectivamente, nos primórdios da poesia grega, mas no século primeiro essa distinção já havia se perdido, assim admitem alguns protestantes estudiosos da Bíblia.

Alguns dos efeitos do jogo de palavras de Cristo perderam-se na tradução do aramaico para o grego, mas foi o melhor que pôde ser feito em grego. Em inglês, como em aramaico, não existem problemas com as finais, porque na tradução para o inglês poderia ser lido: "Tu és Rocha, e sobre esta rocha edificarei minha Igreja". [Pode-se dizer o mesmo em português. Assim como em aramaico, a frase não gera nenhuma confusão, tal como se lê na tradução hoje em dia: "Tu és Pedro (nome próprio masculino que significa pedra), e sobre esta pedra (substantivo comum que faz referência ao substantivo próprio anterior) edificarei minha Igreja."

Considerando outro ponto de vista; se a palavra rocha se refere diretamente a Cristo (como dizem alguns anticatólicos, baseando-se em 1Cor 10,4 "e essa rocha era Cristo" - ainda que a rocha fosse literalmente uma rocha física que viajava com os israelitas no deserto durante o êxodo; cf. Ex 17,6; Nm 20,8), por que Mateus deixou a passagem como estava? No aramaico original, e no inglês que é mais parecido com o aramaico do que o grego, a passagem é clara. Mateus acreditava que seus leitores entenderiam o óbvio sentido de "Pedro ... pedra".

Se Mateus referia-se a Cristo como a rocha, por que não o fez claramente? Por que deu a oportunidade e deixou Paulo escrever esclarecendo o texto (pressupondo, naturalmente, que 1 Coríntios foi escrito depois do evangelho segundo Mateus, e se foi primeiro, por que não escreveu para esclarecer o assunto?).?

A razão, certamente, é que Mateus sabia muito bem que a frase queria dizer o que realmente está dizendo. E foi Simão, fraco como era, o escolhido para ser a rocha, o primeiro elo na cadeira do papado.


Paulo
Combati o bom combate, terminei a minha corrida, conservei a fé” (2 Tm 4,7)
Seu nascimento e sua educação
De São Paulo mesmo sabemos que nasceu em Tarso, em Silícia (Atos, 21, 39), de um pai que era cidadão romano (Atos, 23, 26-28; cf. 16, 37), no seio de uma família na qual a piedade era hereditária (2 Tim., 1, 3) e muito ligada às tradições e observâncias fariséias (Fil., 3, 5-6). São Jerônimo nos diz, não se sabe com que razões, que seus pais eram nativos de Gischala, uma pequena cidade da Galiléia e que o levaram a Tarso cuando Gischala foi tomada pelos romanos.

Este último detalhe é certamente um anacronismo mas as origens galiléias da família não são em absoluto improváveis. Dado que pertencia à tribo de Benjamin, lhe deram o nome de Saul (ou Saulo) que era comum nesta tribo em memória do primeiro rei dos judios. (Fil., 3, 5). Enquanto cidadão romano também levava o nome latino Paulo. Para os judios daquele tempo era bastante usual ter dois nomes, um hebreu e outro latino ou grego entre os quais existia com frequência uma certa consonância e que justapunham no modo usado por São Lucas (Atos, 13, 9: Saulos ho kai Paulos).

Foi natural que, ao inaugurar seu apostolado entre os gentios, Paulo usasse seu nome romano, especialmente porque o nome de Saulo tinha um significado vergonhoso em grego. Posto que todo judeu que se respeitasse havia de ensinar a seu filho um ofício, o jovem Saulo aprendeu a fazer tendas de lona (Atos, 18, 3) ou melhor dito a fazer a lona das tendas. Era ainda muito jovem quando foi enviado a Jerusalém para receber uma boa educação na escola de Gamaliel (Atos, 23, 3).

Parte de sua família residia provavelmente na cidade santa visto que mais tarde se faria menção de uma irmã cujo filho lhe salvaria a vida (Atos, 23, 16). A partir deste momento resulta imposível seguir sua pista até que tomou parte no martírio de Santo Estevão (Atos, 7, 58-60; 22, 20). Nesse momento o qualificam de "jovem" (neanias), mas esta era uma apelação elástica que poderia aplicarse a qualquer entre vinte e quarenta anos.


Conversão e primeiras empresas
Lemos nos atos dos apóstolos três relatos da conversão de São Paulo. (9,1-19; 22, 3-21; 26, 9-23) que apresentam ligeiras diferenças que não são difíceis de harmonizar e que não afetam nada a base do relato, perfeitamente idêntica em substância.

(1) Paulo está seguro de ter "visto" a Cristo como o fizeram outros apóstolos (1Cor., 11,1); ele mesmo declara que Cristo lhe "apareceu" (1Cor., 14, 8) como a Pedro, Tiago ou aos doze depois da sua ressurreição. (2) Ele sabe bem que sua conversão não é fruto de nenhum raciocínio humano, mas de uma mudança imprevista, repentina e radical devido à graça onipotente (Gal., 1, 12-15; I Cor., 15, 10). (3) É falso atribuir dúvidas, perplexidades ou remordimentos antes de sua conversão. Paulo foi detido por Cristo quando sua fúria alcanzava o mais alto estágio (Atos, 9, 1-2); perseguia à Igreja "com ciúme" (Fil., 3, 6), e foi merecedor da graça porque atuou com "ignorância em sua crença de boa fé" (1Tim., 1, 13). Todas as explicações sociológicas ou não, carecem de valor ante estas afirmações, já que todos supõem que a causa de sua conversão foi sua fé em Cristo enquanto que, segundo os testemunhos concordantes dos Atos e das Epístolas, foi a visão de Cristo o que motivou a sua fé.

Depois da sua conversão, batismo e de sua cura milagrosa Paulo começou a predicar aos judeus (Atos, 9, 19-20). Depois se retirou a Arábia, provavelmente à região sul de Damasco. (Ga,1, 17), induvidavelmente mais para meditar as escrituras que para predicar. Em seu retorno a Damasco, as intrigas dos judeus o obrigaram a fugir de noite (2Cor., 11, 32-33; Atos, 9, 23-25). Foi a Jersusalém a ver a Pedro (Ga, 1, 18), mas ficou somente quinze dias porque as ciladas dos gregos ameaçavam a sua vida. A continuação passou a Tarso e lá fica cego por seus anos (Atos, 9, 29-30; Ga, 1, 21). Barnabé foi em sua busca e o trouxe a Antioquia donde trabalharam juntos durante um ano com um apostolado frutífero. (Atos, 11, 25-26). Também juntos foram enviados a Jerusalém a levar as esmolas para os irmãos de lá com ocasião do período de fome antecipada por Agabo (Atos, 11, 27-30). Não parecen ter encontrado aos apóstolos aí desta vez, já que se encontravam dispersos por causa da perseguição de Herodes.
Os trabalhos apostólicos de Paulo
Este período de doze anos (45 - 57) foi o mais frutífero e ativo da sua vida. Compreende três expedições apostólicas das quais Antioquia foi sempre o ponto de partida e que, invariavelmente, terminaram com uma visita a Jerusalém.

(1)Primeira missão (Atos dos apóstolos, 13, 1-14, 27)

Enviado pelo Espírito Santo para a evangelização dos gentios, Barnabé e Saulo embarcaram com destino a Chipre, predicaram na sinagoga de Salamina, cruzaram a ilha de leste a oeste seguindo sem dúvida a costa sul e chegaram a Pafos, residência do pró-cônsul Sérgio Paulo onde uma mudança repentina ocorreu. Depois da conversão do pró-cônsul romano, Saulo, repentinamente convertido em Paulo, é citado por São Lucas antes de Barnabé e assume notávelmente a liderança da missão que até então vinha sendo exercida por Barnabé.

Os resultados desta mudança são rápidos e evidentes. Paulo compreende que al depender Chipre da Síria e Silícia, a ilha inteira seria convertida quando as duas províncias romanas abraçassem a fé de Cristo. Escolheu então a Ásia Menor como campo de seu apostolado e embarcou em Perge de Panfília, onze kilômetros acima do porto de Cestro. Foi quando João Marcos, primo de Barnabé, desanimado talvez pelos ambiciosos projetos do apóstolo, abandonou a expedição e voltou à Jerusalém, enquanto Paulo e Barnabé trabalhavam sozinhos entre as árduas montanhas de Psídia, infestadas de bandidos e atravessaram profundos precipícios. Seu destino era a colônia romana de Antioquia, situada a sete dias de viagem de Perge. Aqui, Paulo falou sobre o destino divino de Israel e do envio providencial do Messias, um discursso que São Lucas reproduz em substância como exemplo de uma predicação na sinagoga. (Atos, 13, 16-41). A estância dos dois missionários en Antioquia foi longa o bastante para que a palavra do Senhor fosse conhecida através de todo país. (Atos, 13, 49). Quando os judeus conseguiram com suas intrigas um decreto de desterro, prosseguiram rumo a Icônio, distante três ou quatro dias de viagem, onde encontraram a mesma perseguição de parte dos judeus e a mesma acolhida de parte dos gentios. A hostilidade dos judeus os forçou a buscar refúgio na colônia romana de Listra, há aproximadamente 25 kilômetros de distância.

Aqui os judeus armaram ciladas para Paulo e, após apedrejá-lo o deixaram como morto, enquanto ele conseguia uma vez mais escapar buscando desta vez refúgio em Derbe, situada por volta de 60 kilômetros da província da Galácia. Depois de completar seu circuito, os missionários voltaram sobre seus passos para visitar aos novos cristianos, ordenaram alguns sacerdotes em cada uma das Igrejas fundadas por eles e depois voltaram à Perge, onde se detiveram a predicar novamente o Evangelho, enquanto esperavam embarcar a Atalia, um porto a dezoito kilômetros de lá. Ao regressar à Antioquia de Síria, depois de uma ausência que durou três anos, foram recebidos com mostras de gozo e ação de graças porque Deus lhes havia aberto as portas da fé ao mundo dos gentios.

O problema do estatuto dos gentios na Igreja começou a sentir-se então em toda sua magnitude. Alguns cristãos de origem judia que vinham de Jerusalém reclamaram que os gentios deveriam ser submetidos à circuncisão e tratados como os judeus tratavam aos prosélitos. Contra esta opinião, Paulo e Barnabé protestaram e se decidiu convocar uma reunião em Jerusalém para resolver o assunto. Nesta assembléia, Paulo e Barnabé representaram a comunidade de Antioquia. Pedro defendeu a liberdade dos gentios, Santiago insistiu no contrário, pedindo ao mesmo tempo que se abstivessem de algumas das coisas que mais horrorizavam aos judeus.

Ao fim se decidiu que os gentios estavam isentos da lei de Moisés primeiramente. Em segundo lugar, que os cristãos da Síria e Silícia deveriam abster-se de tudo que fosse sacrificado aos ídolos, do sangue, dos animais e da fornicação. Em terceiro lugar, que sua decisão não era promulgada em virtude da Lei de Moisés mas dada em nome do Espírito Santo, o que signidicava o triunfo das idéias de São Paulo. A restrição imposta aos gentios convertidos procedentes da Síria e da Silícia não se aplicava às suas Igrejas e Tito, seu companheiro, não foi apremiado a circuncisar-se, apesar dos protestos dos judaizantes (Ga, 2, 3-4). Aqui se assume que Ga 2 e At 15, relata o mesmo fato posto que, de um lado, os protagonistas são os mesmos Paulo e Barnabé, e por outro Pedro e Tiago; a discussão é a mesma, a questão da circuncisão dos gentios; a cena idêntica à de Antioquia e Jerusalém, e a mesma data: por volta do ano 50 d.C.; e apenas um só resultado: a vitória de Paulo sobre os judaizantes.

Entretanto a decisão não saiu adiante sem dificuldades. O assunto não dizia respeito somente aos gentios e, enquanto que estes eram exonerados da Lei de Moisés, se declarava que ao mesmo tempo sería mais meritório e mais perfeito que eles a observassem, dado que o decreto parece ter comprazido aos judeus prosélitos de segunda geração. Além disto os cristãos de origem judia, não haviam sido incluídos no veredito, podiam seguir sendo considerados como ligados devido à observância da lei.

Esta foi a origem da disputa que surgiu imediatamente depois em Antioquia entre Pedro e Paulo. Este último esinou abertamente que a lei tinha sido abolida para os próprios judeus. Pedro não pensava de outro modo, porém considerou oportuno evitar a ofensa aos judaizantes e assim impedí-los que comessem com os gentios que não observassem a as cláusulas da lei. Assim, influenciou moralmente aos gentios a viver como viviam os judeus, Paulo fez ver que esta restrição mental e este oportunismo preparavam o caminho de futuros mal-entendidos e conflitos , e que, inclusive, tinha então, e tería nefastas conseqüências. Sua forma de relatar estes incidentes não deixa a menor dúvida de que Pedro foi persuadido por seus argumentos. (Ga, 2, 11-20).



(2) Segunda missão (Atos, 15, 36.18, 22)

O princípio da segunda missão se caracterizou por uma discussão a propósito de Marcos, que Paulo rechaçou como compaheiro de viagem. Assim pois, Barnabé partiu com Marcos de Chipre e Paulo escolheu a Silas ou Silvano, un cidadão romano como ele e membro influente da Igreja de Jerusalém, e partiu para Antioquia a fim de levar o decreto do conselho apostólico. Os dois missionários foram primerio de Antioquia a Tarso, com um alto no caminho para promulgar o decreto do primeiro Concílio de Jerusalém, e logo foram de Tarso a Derbe através das portas da Silícia, dos desfiladeiros de Tarso e das planícies de Licaônia.

A visita às igrejas fundadas na primeira missão se realizou sem incidentes se não é a propósito da eleição de Timóteo, que os apóstolos em Listra persuadiram para que se circunsisassem para melhor chegar às colônias de judeus, abundantes nesta área. Foi provavelmente em Antioquia de Psídia, por mais que os Atos não mencionem tal lugar, onde o itinerário da missão foi mudado pela intervenção do Espíritu Santo. Paulo pensou em entrar na província da Ásia pelo vale de Meandro, o qual permitiria un só dia de viagem, e no entanto, passaram através da Frígia e da Galácia pois o Espíritu lhes proibiu a predicar a palavra de Deus na Ásia (Atos, 16, 6). Estas palavras (ten phrygian kai Galatiken choran) podem ser interpretadas de diversas maneiras, dependendo se faz referência aos Gálatas do norte ou do sul.

Seja como for, os missionários tiveram que viajar até o norte na região da Galácia chamada assim em propriedade e cuja capital era Pesinonte, e a única questão pendente era se predicavam aí ou não. Não pensavam em fazê-lo embora saibamos que a evangelização dos Gálatas foi devida a um acidente, o da doença de São Paulo (Ga, 4, 13); o que encaixa muito bem se nos referimos aos gálatas do norte. Em todo caso, os missionários depois de alcançar a Misia Superior (kata Mysian), tentaram chegar à rica província de Bitinia, que se extendia diante deles mas o Espíritu Santo os impediu (Atos, 16, 7). Assim atravessaram Misia sem parar para predicar (parelthontes) e chegaram à Alexandria de Trôade, onde a vontade de Deus lhes foi revelada pela visão de um macedônio que os chamava pedindo auxílio para seu país.

Em Filipo, onde não havia sinagoga, a primeira prédica ocorreu em um posto chamado proseuche o que fez com que os gentios tomassem o fato como motivo de perseguição. Paulo e Silas, acusados de alterar a ordem pública, receberam golpes de paus, foram jogados em uma prisão e logo exilados. Porém em Tessalônica, e Beréia, onde se refugiaram depois de estar em Filipo, as coisas saíram conforme o plano previsto. O apostolado de Atenas foi absolutamente excepcional. Aqui não havia o problema dos judeus ou da sinagoga, e Paulo, em contra do seu costume, estava só. (1Thes., 3, 1).

Pronunciou um discurso diante do areópago do qual se conserva um resumo nos Atos dos Apóstolos (17, 23-31) como modelo em seu gênero. Parece ter deixado a cidade de grado, sem ter sido forçado por causa de uma perseguição. A missão de Corinto, por outro lado, pode ser considerada como típica. Paulo predicou na sinagoga todos os sábados e quando a oposição violenta dos judeus atentaram contra ele em vão; foi capaz de resistir graças à atitude, pelo menos imparcial, do pró-cônsul Galio.

Finalmente, decidiu ir-se a Jerusalém de acordo com um voto feito talvez em um momento de perigo. Desde Jerusalém, de acordo com seu costume, voltou à Antioquia. As duas epístolas aos tessalonicenses se escreveram durantre os primeiros meses da estadia em Corinto.

(3) Terceira missão (Atos, 18, 23-21,26)

O destino da teceira viagem de Paulo foi evidentemente Éfeso, onde Aquila e Priscila o esperavam. Ele tinha prometido aos efésios voltar para evangelizá-los si tal fosse a vontade de Deus (Atos, 18, 19-21) e o Espírito Santo não se opôs mais à sua entrada em Ásia. Assim, depois de uma breve visita a Antioquia foi-se através da Galácia e da Frígia (Atos, 18, 23) e passando através das regiões da "Ásia Central" chegou à Éfeso (XIX, 1). Sua maneira de proceder permaneceu intacta. Para pover seu sustento e não ser uma carga para os fiéis, teceu todos os dias durante muitas horas muitas tendas, o que não o impediu de predicar o Evangelho. Como de costume, começou na sinagoga onde teve êxito durante os primeiros meses. Depois ensinou diariamente em uma sala colocada à sua disposição por um tal Tirano "desde a hora quinta até a décima" (das onze da manhã às quatro da tarde) de acordo com a tradição interessante do "Codex Bezaar"(Atos, 19, 9). Assim viveu dois anos de tal forma que os habitantes da Ásia, judeus e gregos, ouviram a palavra de Deus. (Atos, 19, 20).

Claro que houveram provações e obstáculos que superar. Alguns destes obstáculos surgiram da inveja dos judeus, que tentaram inútilmente imitar os exorcismos de Paulo, outros vinham da superstição dos pagãos, particularmente acentuada em Éfeso. Entretanto, triunfou de modo tão claro que os livros de superstição que foram queimados tinham o valor de 50.000 moedas de prata (uma moeda correspondia aproximadamente a um dia de trabalho). Desta vez, a perseguição foi devida aos gentios e por motivos interessados. Os progressos do cristianismo arruinaram a venda das pequenas reproduções do templo de Diana e as da própria deusa, estatuetas muito compradas pelos peregrinos, e um certo Demétrio, a frente dos artesãos, incitou a plebe en contra de São Paulo. São Lucas descreveu com realismo e emoção a cena, levada em seguida ao teatro. (Atos, 19, 23-40). O apóstolo teve que render-se à tormenta. Depois de uma estância de dois anos e meio, ou talvez mais, em Éfeso (Atos, 20, 31: treitian), partiu para a Macedônia e de lá para Corinto, onde passou o inverno. Sua intenção era de seguir rumo à Jerusalém na primavera, sem dúvida para passar a Páscoa, mas ao saber que os judeus haviam planejado atentar contra sua vida, não lhes deu oportunidade de concretizá-lo por viajar por mar, regressando à Macedônia. Muitos discípulos, divididos em dois grupos, o acompanharam ou o esperaram em Trôade. Entre outros se encontravam Soprater de Beréia, Aristarco e Segundo de Tessalônica, Gayo de Derbe, Timóteo, Tíquico e Trófimo de Ásia e finalmente Lucas, o historiador dos Atos, nos da todos os detalhes da viagem: Filipo, Trôade, Assos, Mitiline, Jíos, Samos, Mileto, Cos, Rodas, Pátara, Tiro, Ptolemaida, Cesaréia e Jerusalém. Poderíamos citar ainda três fatos notáveis: em Trôade Pablo ressuscitou ao jovem Êutico que havia caído da janela de um terceiro piso enquanto Paulo predicava sendo a noite já avançada. Em Mileto pronunciou um discurso emotivo que arrancou as lágrimas aos anciãos de Éfeso. (Atos, 20, 18-38). Em Cesaréia o Espírito Santo antecipa pela boca de Agabo que seria preso, fato que não o fez desistir de ir a Jerusalém.

Quatro das maiores epístolas de São Paulo foram escritas durante esta terceira missão: a primeira aos Coríntios desde Éfeso, por volt da Páscoa antes de sua saída da cidade; a segunda aos coríntios desde Macedônia durante o verão ou outono do mesmo ano; aos romanos desde Corinto na primavera seguinte; a data da epístola aos gálatas é objeto de controvérsia. Das muitas questões a propósito da ocasião ou da linguagem das cartas ou da situação dos destinatários das mesmas,


O cativeiro (Atos, 21, 27-28,31)
Quando os judeus acusaram em falso a Paulo de ter introduzido no templo os gentios, a multidão maltratou a Paulo, e, coberto de correntes, o jurista Lisias o mandou à prisão da fortaleza Antonia. Quando ele soube que os judeus haviam conspirado para matar ao prisiononeiro, o enviou sob forte escolta à Cesaréia, que era a residência do procurador Félix. Paulo não teve dificuildade para esclarecer as contradições dos que o acusavam mas, ao negar-se a comprar sua liberdade, Félix o manteve algemado durante dois anos e inclusive o jogou na prisão para dar gosto aos judeus em espera do do seu sucessor, o procurador Festo. O novo governador quis enviar o prisioneiro à Jerusalém para que fosse julgado na presença dos seus acusadores, porém Paulo, que conhecia perfeitamente as artimanhas dos seus inimigos, apelou a César. Em conseqüência, esta causa só podia ser despachada em Roma. Este período de cativeiro se caracteriza por cinco discursos do Apóstolo: o primeiro foi pronunciado em hebreu nas escadas da fortaleza Antonia ante uma ameaçadora multidão; Paulo relatou sua vocação e sua conversão ao apostolado, porém foi interrompido pelos gritos hostis da multidão (Atos, 22, 1-22). No segudo, ao dia seguinte ante o sinédrio reunido sob a presidência de Lisias, o apóstolo dissuadiu hábilmente os fariseus contra os saduceus e não se pôde levar adiante nenhuma acusação. O terceiro foi a resposta ao acusador Tértulo em presença do governador Félix; nesta ocasião provou que os fatos não haviam sido manipulados, provando assim sua inocência. (Atos, 24, 10-21). O quarto discurso é uma simles explicação resumida da fé cristã ante o governador Festo, o rei Agripa e sua mulher Berenice, repete uma vez mais a história de sua conversão e ficou sem terminar devido às interrupções sarc Ásticas do governador e a atitude irritada do rei (Atos, 26).

A viagem do prisioneiro Paulo de Cesaréia a Roma foi descrita por São Lucas com vivas cores e uma precisão que não deixam nada a desejar. O centurião Júlio enviou o prisioneiro Paulo e outros prisioneiros em um navio mercante no qual Lucas e Aristarco pudessem obter passagem. Já que a estação se encontrava distante, a viagem foi lenta e difícil. Passaram pela costa de Síria, Cilícia e Panfília. Em Mira de Lícia os prisioneiros foram transferidos a uma embarcação que se dirigia a Itália, porém uns ventos contrários persistentes os empurraram até um porto de Chipre chamado Bom-Porto, alcançado inclusive com muita dificuldade e Paulo aconselhou que passassem o inverno aí, mas sua opinião foi rejeitada e o barco ficou à deriva sem rumo por quatorze dias terminando nas costas de Malta. Durante os três meses seguintes a navegação foi considerada muito perigosa, assim não saíram do seu lugar, mas com a chegada da primavera se apressaram a prosseguir a viagem. Paulo devia chegar a Roma algum dia de março. "Ficou dois anos comletos em uma casa alugada... predicando o Reino de Deus e a fé em Jesus Cristo com toda confiança, sem proibição" (Atos, 28, 30-31). E, com estas palavras, conclui o livro dos Atos dos Apóstolos.

Não cabe dúvidad de que São Paulo terminou sendo aboslvido em seu julgamento; já que (1) o informe d governador Festo, assim como o do centurião foram favoráveis; e que (2) os judeus parecem ter abandonado a acusação posto que seus partidfários não pareciam estar informados (Atos, 28, 21); e que (3) o rumo tomado pelo procedimento judicial lhe deixou alguns períodos de libertade, dos que falou como coisa certa (Fil, 1, 25; 2, 24; Philem., 22); e que (4) as cartas pastorais (supondo que sejam autênticas) implicam um período de atividade de Paulo seguido da sua prisão. E se chega à mesma conclusão na hipótese segundo a qual não são autênticas, já que todas elas coincidem em que o autor conhecia bem a vida do apóstolo. Unânimamente se aceita que as "epístolas do cativeiro" foram enviadas desde Roma. Alguns autores tentaram provar que São Paulo as escreveu durante sua detenção em Cesaréia, mas poucos autores os seguiram. A epístola aos colossenses, aos efésios e a Filemon foram enviadas juntas e utilizando o mesmo menssageiro: Tíquico. É controverso se a epístola aos filipensses foi anterior ou posterior a estas últimas e a questão não foi jamais resolvida com argumentos incontrovertíveis.
Os últimos anos
Dado que este período carece da documentação dos Atos, está envolvido na mais completa obscuridade; nossas únicas fontes são algumas tradições disperssas e as citas disperssas das epístolas. Paulo quis passar pela Espanha desde muito tempo antes (Rom., 15,24,28) e não há provas de que mudaria seu plano. Já no fim do seu cativeiro, quando anuncia sua chegada a Filemon (22) e aos Filipenses (2, 23-24), não parece considerar esta visita como iminente, dado que compromete aos filipenses enviar-lhes um mensageiro cuando esteja concluído o seu julgamento e, portanto, ele preparava outra viagem antes do seu retorno ao oriente. Sem necessidade de citar os testemunhos de São Cirilo de Jerusalém, são Epifanio, São Jerônimo, São Crisóstomo e teodoreto diremos finalemtne que el testemunho de São Clemente de Roma, bem conhecido, o testemunho do "Canon Muratorio", e a "Acta Pauli" fazem mais que provável a viagem de Paulo à Espanha. Em todo caso não pôde permanecer muito tempo por lá, devido à sua pressa por visitar outras Igrejas do leste. Pôde entretanto voltar à Espanha através da Gália, como pensaram alguns padres, e não à Galácia, aonde Crescêncio foi enviado mais tarde. (2 Tim., 4,10). É verossímil que, depois, chegaria a cumprir sua promessa de visitar seu amigo Filemon e que, en tal ocasião, visitaria as Igrejas do vale de Licaônia, Laodicéia, Colossos, e Hierápolis.

A partir deste momento o itinerário se torna sumamente incerto por mais que os seguintes acontecimentos parecem estar indicados nas epístolas pastorais: Paulo permaneceu em Creto o tempo necessa'rio para fundar novas Igrejas, cujo cuidado e organização deixou nas mãos do seu colega Tito (Tit., 1, 5). Foi depois a Éfeso e rogou a Timóteo, que já estava lá, que permaneceria aí até seu regresso enquanto Paulo se dirigia à Macedônia (1 Tim., 1, 3). Nesta ocasião visitou, como havia prometido, aos filipensses (Fil., 2,24), e , naturalmente, também passou a ver os tessalonicensesalonicensses. A carta a Tito e a primeira epístola a Timóteo devem datar deste período; parece que foram escritas ao mesmo tempo aproximadamente, pouco depois de ter deixado a Éfeso. A questão é saber se foram enviadas desde Macedônia ou desde Corinto, como parece ser mais provável. O Apóstolo instrui a Tito para que se reuna com ele em Nicópolis de Epiro donde pensa passar o verão (Titus, 3,12). Na primavera seguinte deve ter cumprido seu plano de volta a Ásia (1 Tim, 3,14-15). Aqui ocorreu o obscuro episódio da sua prisão, que provávelmente ocorreu em Trôade; isso explicaría o fato de ter deixado uns livros e roupas que necessitou depois (2 Tim., 4,13). De lá foi a Éfeso, capital da proovincia de Ásia, onde o abandonaram todos aqueles que ele pensava que lhe haviam sido fiéis (2 Tim., 1,15). Enviado a Roma para ser julgado, deixou a Trófimo doente em Mileto e a Erasto, outr dos seus companheiros, que permaneceram em Corinto por razões nunca esclarecidas (2 Tim., 4,20). Quando Paulo escreveu sua segunda epístola a Timóteo desde Roma, acreditava que toda esperanza humana estava perdida (4,6).; nela pede a seu discípulo que venha ver-lhe o mais rápido possível, porque estava apenas com Lucas. Não sabemos se Timóteo foi capaz de ir a Roma antes da morte do Apóstolo.

Uma antiga tradição torna possível estabelecer os seguintes pontos: (1) Paulo sofreu o martírio cerca a Roma na praça chamada Aquae Salviae (hoje Piazza Tre Fontane), um pouco ao oeste da Via Ostia, cerca de três quilômetros da explêndida basílica de São Paulo Extra Muros, lugar onde foi enterrado. (2) O martírio ocorreu no fim do reinado de Nero, no décimo segundo ano (São Epifanio), no décimo terceiro (Eutalio), ou no décimo quarto (São Jerônimo). (3) De acordo com a opinião mais comum, Paulo sofreu o martírio no mesmo dia do mesmo ano que Pedro; alguns padres latinos disputam se foi o mesmo dia mas não do mesmo ano; a testemunha más antiga, São Dionisio o Corinto, disse somente Kata ton auton Kairon, o que pode ser traduzido por "ao mesmo tempo" ou "aproximadamente ao mesmo tempo". (4) Durante tempo imemorável, a solenidade dos apóstolos Pedro e Paulo se celebra no dia 29 de Junho, que é o aniversário, seja da morte, seja do traslado de suas relíquias. O Papa ía antigamente com seus acompanhantes a São Paulo Extra Muros depois de celebrar em São Pedro, ainda que a distância entre as duas basílicas (aprox. oito quilômetros) fazia a cerimônia cansativa, particularmente nesta época do ano. Assim surgiu o costume de transferir ao dia seguinte (30 de junho) a comemoração de São Paulo. A festa da conversão de São Paulo (25 de janeiro) tem origem comparativamente recente. Há razões para crer que este dia foi celebrado para marcar o traslado das relíquias de São Paulo a Roma, posto que assim aparece no Martirologio Hieronimiano. Esta festa é desconhecida na igreja grega.

Apêndice
O Ano Litúrgico Bizantino

Os cristãos orientais observam, ainda hoje, o jejum em preparação à festa dos santos Pedro e Paulo. Faz parte dos quatro períodos de jejum do ano litúrgico bizantino. Sua duração é variável porque começa na segunda-feira que se segue ao Domingo de Todos os Santos (1º. depois de Pentecostes). Depois da Santa Mãe de Deus, a , é a única festa de santos, precedida por um tempo de jejum.

Também a iconografia dá um destaque particular aos Príncipes dos Apóstolos. Observamos a admirável fidelidade com a qual, no Oriente, foi transmitida a fisionomia característica dos dois santos.

Isso nos faz pensar que os primeiros iconógrafos a retratá-los, lhe foram contemporâneos. Não devemos nos admirar, se em diferentes regiões geograficamente distantes umas das outras, encontramos o mesmo e persistente modelo iconográfico.

Pedro é sempre reproduzido com a fronte baixa, os cabelos grisalhos e um pouco encaracolados, a barba curta e arredondada; tem na mão as chaves e, usualmente, porta a cártula em que a inscrição mais freqüente é a proclamação de fé: "Tu és o Cristo, filho do Deus vivo" (Mt 16,16).

Paulo, ao invés, tem um aspecto mais jovem, com poucos cabelos; a fronte alta é evidenciada também pela calvície e a barba desce mais longa e lisa.

No Ocidente, São Paulo é quase sempre retratado segurando uma espada, ao passo que no Oriente, com freqüência, nós o vemos tendo nas mãos o livro das suas Epístolas. É assim que o admiramos no belíssimo ícone do maior iconógrafo russo, o monge Andrej Rublev. Tal ícone, do século XV, foi pintado para a Iconostase () da catedral de Zvenigorod.

As particularidades das duas fisionomias permitem reconhecer Pedro e Paulo também em ícones em que os dois santos aparecem juntos com outros santos, como, por exemplo, no ícone de 15 de agosto, Dormição da Mãe de Deus; ou no de Pentecostes. Mais tardios são os ícones onde os Príncipes dos Apóstolos aparecem no grupo dos Doze. Neste ícone, os santos Pedro e Paulo, no centro, seguram dos dois lados a maquete de uma Igreja, em formato bizantino, um simbolismo evidente do papel único dos dois na Igreja instituída por Cristo para a continuação da sua obra salvífica entre os homens. Dois homens com a mesma missão, mas diferentes na origem, temperamento e visão pastoral.

Simão Pedro, um pescador de Betsaida que mais tarde foi se estabelecer em Cafarnaúm e, obedecendo ao mandato do Senhor, transforma-se em “Pescador de Homens” para o Reino. Paulo, soldado Romano, perseguidor dos cristãos e com uma carreira promissora dentro do Império, torna-se o destemido apóstolo missionário, fundador de igrejas, em diversos paises. Ambos chamados, tiveram seus nomes mudados depois de uma forte experiência da Presença do SENHOR em suas vidas. Simão recebe o nome de "Pedro" (Mt 16,17-19), resultante da sua profissão de fé em resposta à pergunta que o Senhor lhe havia dirigido sobre sua identidade. Movido pelo Espírito Santo Simão lhe responde “Tu és o Cristo, o Filho de Deus”.

Sobre a “Fé” de Simão expressada em sua resposta, o SENHOR edifica sua Igreja: “” - “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. (Mt16,18)

Saulo de Tarso, sofrendo a tão conhecida “Queda”, convertido após a aparição do SENHOR, transforma-se em Paulo; de perseguidor a propagador do Evangelho. Sua retórica e poder de persuasão foram colocados a serviço do seu apostolado. De Antioquia foi para a Ilha de Chipre e percorrendo depois a atual Turquia, Frigia, Galícia, Filipos, Corinto, Tessalônica. Em Atenas anunciou o Deus desconhecido aos filósofos gregos. Chegou a Roma pelo ano 60 ou 61, onde foi preso e redigiu suas Cartas às comunidades eclesiais recém fundadas. Paulo sofreu o martírio aproximadamente no de 67, não sem antes ter ressaltado nas Cartas a Timóteo: “” (2Tm 4,7) “Combati o bom combate, percorri o caminho e guardei a fé”.

Pedro e Paulo: dois nomes que ao longo dos séculos personificam a Igreja inteira em sua ininterrupta Tradição, sendo por isso invocados com freqüência, tanto nos ritos orientais como latinos da Igreja.



Fonte: DONADEO, Madre Maria, O Ano Litúrgico Bizantino. Editora Ave Maria. São Paulo, 1990

«Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que te amo»


Contemplando Pedro, podemos verificar que não só expiou suficientemente por suas lágrimas de penitência a negação em que tombou, como também afastou de sua alma o vício da arrogância, pelo qual se julgava acima dos outros. Querendo demonstrá-lo a todos, o Senhor, depois de ter padecido por nós em sua carne e ressuscitado ao terceiro dia, disse a Pedro, conforme as suas palavras no Evangelho de hoje: Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes? (Jo 21,15), quer dizer, mais do que estes meus discípulos?

Vede como se tornou humilde! Outrora, mesmo sem ser interrogado, antepunha-se aos outros, dizendo: Ainda que todos te reneguem, eu nunca (cf. Mc 14,29 e Jo 13,37-38). Agora, interrogado se amava mais do que os outros, afirma que ama, mas isenta-se de comparações, dizendo: Sim, ó Senhor, tu sabes que te amo (Jo 21,15). E que faz o Senhor? Depois de mostrar que Pedro não deixara de amá-lo e se convertera à humildade, cumpre abertamente o que já lhe anunciara, dizendo: Apascenta os meus cordeiros (Jo 21,15). Se quando Cristo chamando edifício à assembléia dos que nele crêem, promete que tomará Pedro como pedra fundamental (cf. Mt 16,18); se quando fala de pesca, o faz pescador de homens dizendo: de agora em diante serás pescador de homens (cf.Mt 4,19); quando chama os seus de rebanho, coloca Pedro à frente como Pastor, dizendo: Apascenta meus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas.

Pedro, porém, mais duas vezes interrogado por Cristo se o ama, entristeceu-se pela repetição da pergunta, julgando que sua afirmação não merecia crédito. Mas convencido do seu amor por Cristo, não ignorando que esse amor era mais conhecido por Cristo do que por ele próprio, vence o impasse não somente confessando o seu amor, mas também anunciando que a pessoa amada por ele é o Deus de todas as coisas: Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que te amo (Jo 21,17). Pois saber tudo é privilégio exclusivo do Deus de todas as coisas.

O Senhor, então, não apenas constituiu o autor de tal proclamação pastor, e pastor supremo de toda a sua Igreja, mas também lhe anuncia que seria cingido de tal força que permaneceria firme até à morte, e morte de cruz, apesar de não ter resistido outrora à pergunta e à afirmação de uma criada.

Em verdade, em verdade te digo (disse a Pedro), quando eras jovem e te cingias de juventude corporal e espiritual, usavas a tua própria força e ias onde desejavas, pois eras movido por tua vontade e vivias de acordo com tua escolha; quando porém envelheceres, chegando ao fim da tua juventude corporal e espiritual, estenderás as mãos (cf. Jo 21,18). Queria dar a entender com isto que Pedro morreria pela cruz, que iria padecer, mas não contra a vontade. Estenderás as mãos, e outro te cingirá, isto é, te fortalecerá, e te conduzirá para onde não queres, separando-te dos homens (cf. Jo 21,18). Mostrava assim que a nossa natureza quer a vida, e que o martírio de Pedro estava acima de suas forças humanas. Estas coisas, diz o Senhor, suportarás voluntariamente por minha causa, dando então testemunho de teres sido fortalecido por mim, pois não pode a natureza humana realizar o que está acima das forças humanas.

S. GREGÓRIO PALAMÁS, BISPO, Homilia 28, Leitura para a Solenidade de São Pedro e São Paulo (Comentário a JO 21,15-19)


«Pedro faz uma exata profissão de fé em Cristo»


Um dia Jesus rezava com os discípulos em lugar retirado. E lhes fez a seguinte pergunta: Quem sou eu, no dizer das multidões? (Lc 9,18). O Salvador e Senhor de tudo mostrava-se como modelo de santidade ao rezar a sós com os discípulos. Talvez alguma coisa os perturbasse, provocando neles pensamentos de dúvida. Viam rezar como qualquer homem aquele que na véspera realizara prodígios divinos. Não era pois infundada a sua dúvida: que coisa estranha! O que pensar a respeito dele: é Deus ou homem?

Para acalmar o tumulto de tais pensamentos e tranqüilizar uma fé quase abalada, Jesus lhes faz uma pergunta, sem ignorar o que dele se dizia entre os estrangeiros e mesmo entre os judeus. Queria desse modo, desviá-los da opinião de muitos, e neles consolidar uma fé segura. Quem sou eu no dizer das multidões? (Lc 9,18). De novo Pedro intervém em primeiro lugar, fazendo-se o porta-voz de todo o grupo, e pronunciando palavras cheias de amor a Deus, como exata e perfeita profissão de fé no Cristo: O Cristo de Deus (Lc 9,20). O discípulo é o arauto atento e sábio da verdade sagrada. Não diz simplesmente que é um Cristo de Deus, mas o Cristo de Deus. Pois muitos consagrados a Deus foram chamados cristos com significados diferentes: alguns eram reis e outros eram profetas. Outros ainda (e somos nós, que alcançamos a salvação por meio do Cristo Salvador universal, e somos ungidos do Espírito Santo) recebem o nome de Cristo. Por conseguinte, são muitos os cristãos; mas este é o nome que designa uma condição, ao passo que o outro é um só, o Cristo de Deus Pai.

Depois que o discípulo fez a profissão de fé, Jesus proibiu severamente que o dissessem a alguém, acrescentando: O Filho do homem deverá sofrer muito, ser rejeitado, e afinal ser morto, e ressuscitar no terceiro dia (Lc 9,21.22). Mas porque não convinha dizer isso a outros? Não era essa justamente a tarefa dos que foram consagrados por ele ao apostolado? Sim, mas diz a Escritura: Tudo a seu tempo será comprovado (Sir 39,34). Convinha anunciar primeiro os acontecimentos ainda não consumados: a paixão, a crucifixão, a morte na cruz e a ressurreição. Este grande e glorioso milagre confirmará que o Emanuel é verdadeiro Deus, Filho de Deus Pai por natureza.

Na verdade, destruir a morte e a corrupção, expoliar o inferno, abater o poder do demônio, tirar o pecado do mundo e abrir para os homens as portas do paraíso unindo céu e terra, tudo isso mostra que o Emanuel é verdadeiro Deus. Por isso Jesus ordena que o mistério seja por algum tempo adorado em silêncio, até que todo o processo da economia chegue a seu término. Assim, depois da ressurreição ordenou que se revelasse o mistério por todo o mundo, oferecendo a todos a justificação pela fé e a purificação pelo batismo: Todo poder me foi dado no céu e na terra. Ide, fazei de todos os povos discípulos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar tudo o que vos mandei. Estarei convosco todos os dias, até o fim dos tempos (Mt 6 28,18-20). Portanto, Cristo está conosco e em cada um de nós, pelo Espírito Santo. Por ele e com ele sejam dadas louvor e poder a Deus Pai, com o Espírito Santo, pelos séculos. Amém.


SÃO CIRILO DE ALEXANDRIA, BISPO, DAS HOMILIAS SOBRE O EVANGELHO DE SÃO LUCAS,
(Lc 9,18-24: confissão de Pedro)


"As minhas ovelhas escutam a minha voz" (Mt 16,13-19)

Não há maior amor

"As minhas ovelhas escutam a minha voz"

Acharás certamente que é difícil rezar se não souberes como o fazer. Cada um de nós deve ajudar-se a rezar: em primeiro lugar, recorrendo ao silêncio, porque não podemos pôr-nos em presença de Deus se não praticarmos o silêncio, tanto interior como exterior. Fazer silêncio dentro de nós mesmos não é fácil, mas é um esforço indispensável. Só no silêncio encontraremos um novo poder e uma verdaderia unidade. O poder de Deus tornar-se-á nosso, a fim de realizarmos todas as coisas como devem ser realizadas; o mesmo no que respeita à unidade dos nossos pensamentos com os seus pensamentos, das nossas orações com as suas orações, das nossas acções com as suas acções, da nossa vida com a sua vida.

A unidade é o fruto da oração, da humildade, do amor.

É no silêncio do coração que Deus fala; se te colocares diante de Deus no silêncio e na oração, Deus falar-te-á. E saberás então que não és nada. Só quando connheceres o teu nada, o teu vazio, é que Deus pode encher-te dEle mesmo. As almas dos grandes orantes são almas de grande silêncio.

O silêncio faz-nos ver cada coisa com outros olhos. Precisamos do silêncio para tocar as almas dos outros. O essencial não é o que dizemos, mas o que Deus diz - o que Ele nos diz, o que diz através de nós. Nesse silêncio, Ele nos escutará, falará à nossa alma e escutaremos a sua voz.

Beata Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora da Irmãs Missionárias da Caridade


Apolitikion - (1º tom)

Príncipes dos apóstolos e doutores do Universo,

São Pedro e São Paulo,

rogai ao Mestre de todas as coisas

que dê a paz ao mundo

e às nossas almas a sua grande misericórdia.



Hipacoï

Qual é a prisão que não te guardou algemado?

Qual é a Igreja na qual não foste pregador?

Damasco se orgulha de ti, ó Paulo,

pois te viu caído diante da Luz;

Roma se ufana de possuir teu sangue;

Tarso, porém, cuja alegria é maior,

venera com ardor teu nascimento.

Ó Pedro, rochedo da fé, e Paulo, glória do Universo,

vinde juntos confirmar-nos!



Kondakion

Levaste, Senhor, para descansar e gozar de teus bens,

os dois infalíveis pregadores de fala divina,

os príncipes dos apóstolos;

pois preferiste suas provações e morte a qualquer sacrifício,

Tu, o único conhecedor dos segredos dos corações.



Prokímenon

Por toda a terra espalhou-se a sua voz,

e até os confins do mundo foram as suas palavras.

Os céus narram a glória de Deus;

e o firmamento anuncia a obra de suas mãos.

Aleluia

Aleluia, aleluia, aleluia!

Os céus publicarão as tuas maravilhas, Senhor,

e a tua verdade, na assembléia dos santos.

Aleluia, aleluia, aleluia!

Deus é glorificado na assembléia dos santos,

grande e terrível sobre todos os que o cercam.

Aleluia, aleluia, aleluia!



Kinonikón

Por toda a terra espalhou-se a sua voz,

e até os confins do mundo foram as suas palavras.

Aleluia, aleluia, aleluia!







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